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Diário de Gabrielle – Provando a Teoria GabLes – O Amor (Último Capítulo)


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 Cap. 7 - Cap. 8 - Cap. 9 - Cap. 10 - Cap. 11 - Cap. 12


por Monique Cantuário




     Pergaminho...

   Alguns meses se passaram desde a última vez que escrevi... Ando totalmente sem tempo, Xena e eu estamos viajando sem parar...

     Mas o mais importante é que estou muito feliz... Os deuses ouviram as minhas preces!

    Muita coisa aconteceu, o que apenas afirmou que o meu lugar é ao lado de Xena... Meus pais aceitando ou não, é com ela que quero ficar...

     Nós passamos por momentos bastante interessantes e que foram até...

     Que os deuses me perdoem por dizer isso!

     ... Excitantes!

    Nunca na minha vida imaginei que fosse passar por coisas tão incríveis, a experiência de ter sido uma bacante foi estranha... Quando fomos derrotar Baco, acabei me tornando uma...

      Mas pergaminho...

     Um dos momentos em que me encontrei em total êxtase foi quando me vi totalmente entregue dançando entre duas bacantes na festa em que estávamos!

     Aquelas mulheres ao meu redor e aquela música envolvente me deixaram anestesiada, fiquei fora de mim, cheguei ao ponto de querer que aquela dança fosse mais além...

     Da maneira em que me encontrava, se não fosse pelo tapado do Joxer, acredito que meu desejo teria se concretizado!

    Mas a mais excitante foi quando estava transformada... Me tornei uma bacante... Tentei lutar contra meus desejos, mas era mais forte do que eu...

    Não era qualquer sangue que eu desejava...

    Era o de Xena... Somente o dela saciaria minha sede...

    Eu queria tomá-la e sugar até a última gota de sangue daquele corpo...

   Só os deuses sabem o quanto eu tive que me controlar, lutar contra mim mesma, para não sucumbir a esse desejo!

   Quando fui ao covil de Baco e estava prestes a tomar de seu sangue, Xena chegou de uma hora para outra, tentando me impedir de fazer isso.

   Pelos deuses!

   Tudo isso nos proporcionou um momento íntimo... Xena tinha que se transformar em bacante para poder derrotá-lo.

   O que mais me intrigou naquele momento foi que ela poderia ter deixado qualquer uma daquelas bacantes mordê-la...

   Mas não...

   Ela simplesmente me escolheu, queria que eu a mordesse...

   Me senti completamente excitada, apesar de estar naquela forma, não perdi totalmente os meus sentidos!

   Tudo ofertado pra mim, Xena completamente entregue a mim...

  Sem perder mais tempo, aprofundei totalmente meus dentes naquele pescoço macio... Eu queria sugá-la até a última gota, mas tive que lutar bravamente contra a força poderosa que me dominava...

   Tive que parar, pois o objetivo era outro....

  Xena se transformou e o matou... Tudo voltou ao normal, confesso que não consegui esconder minha timidez perante as lembranças daquele momento tão íntimo!

   Mas pergaminho...

  Ao entardecer, após repensar sobre o que havia acontecido, criei coragem e coloquei Joxer pra correr, pois eu estava disposta a arriscar de forma mais direta um envolvimento ainda mais íntimo com Xena. Eu deixei claro que faria qualquer coisa para compensá-la por sempre me salvar, mas bem nessa hora o Joxer resolveu berrar alguma coisa e Xena acabou voltando a atenção pra ele. Eu poderia jurar que a forma como ela me olhou milésimos de segundos antes era dizendo que me desejava, que me queria. Mas não sei, ela não disse nada, falou do Joxer e a minha tentativa foi em vão, foi frustrada, fazendo assim com que a minha timidez se tornasse ainda maior...

 Naquele mesmo dia, ao anoitecer, quando estávamos sob os cobertores, conversávamos sobre os últimos acontecimentos, até que Xena falou sobre a mordida...

  Juro por todos os deuses que quando ela mencionou isso, tudo o que eu queria era um buraco para me esconder, para que ela não percebesse a minha tamanha timidez!

  Mas o que me deixou surpresa foi ela ter alegado que somente eu poderia mordê-la, que não deixaria mais ninguém fazer aquilo!

  Fiquei completamente sem palavras e me perguntando: “Será que é algum aviso de fidelidade ou apenas coisa de grandes amigas?” ... Tive que me concentrar pra não me perder em meus pensamentos... A única coisa que consegui fazer foi agradecê-la pela confiança e dizer que foi difícil, pois eu não queria machucá-la... Fiz apenas por instinto!

  Mas pergaminho... Claro que menti, eu queria mordê-la...

  Xena foi logo tratando de acabar com as minhas desculpas e me fazer dormir... Dessa vez ela me abraçou, totalmente consciente do que estava fazendo... Não me assustei, apenas aproveitei o momento e me aconcheguei em seus braços e ficamos assim a noite inteira...

  Dias se passaram desde o dia em que enfrentamos Baco, estava tudo tão bem entre Xena e eu...

  Ela parecia estar começando a se deixar levar e eu aproveitando cada oportunidade pra saber quais eram os seus verdadeiros sentimentos a meu respeito...

  Mas eis que surge uma surpresa...

  Perdicas reaparece do nada... Ainda bem que Xena e eu escutamos movimentação nos arbustos e quando ela foi verificar era ele quem estava atrás de nós!

  Graças aos deuses, ele não nos pegou abraçadas, estávamos dormindo muito próximas uma da outra...

  Ele nem esperou falarmos alguma coisa e já foi me pedindo em casamento, isso me deixou completamente surpresa, jamais imaginei que o reencontraria e muito menos me abordasse desse jeito!

  Senti que Xena não gostou dessa história, o que também me deixou intrigada...

  Se ela sentia algo por mim, porque não disse? Porque não se abriu pra mim?

  Acho que Xena é covarde quando o assunto é sentimento...

  Pedi que Xena me deixasse a sós com Perdicas... Expliquei a ele que eu não era mais aquela garotinha que ele reencontrou durante a guerra de Tróia... Que eu havia mudado muito...

  Ele continuou insistindo nessa história... Mas eu jamais poderia aceitar essa proposta, jamais me casaria com quem não amo...

  Pergaminho...

  Pelo menos era isso que eu pensava...

  Xena e eu conversamos algumas vezes durante o dia... Deixei bem claro pra ela que eu não me casaria com Perdicas...

  Mas ela arrebatou qualquer esperança que eu tivesse naquele momento...

  Disse que se eu estivesse feliz, ela também estaria... Que eu não deveria me importar com ela...

  Aquilo me fez pensar seriamente e não posso negar que cheguei a aceitar a proposta dele, pois pensei que assim ela poderia me impedir de casar ou até mesmo me sequestrar na hora do casamento e finalmente se declarasse pra mim...

  Mas isso é pedir demais...

  Durante a noite, enquanto passávamos por um vilarejo que estava sendo atacado por Callisto, Xena, Perdicas e eu iniciamos uma luta. Enquanto lutávamos contra os soldados, percebi que Perdicas estava parado em frente ao corpo de um guerreiro que ele havia acabado de matar, dizendo que não queria mais aquilo, que não poderia mais pertencer àquela vida...

  Nesse momento senti que era a minha chance de dar uma oportunidade a Perdicas e também uma oportunidade de esquecer meus sentimentos com relação a Xena... Eu não poderia passar a vida inteira vivendo naquela dúvida e Perdicas seria a minha chance de esquecer!

  Pergaminho...

  Eu disse “SIM” ao pedido de casamento de Perdicas!

  Nós já fomos noivos uma vez e talvez concretizando o que iríamos fazer, nosso casamento iria dar certo... Duraria muito tempo! Eu o estava salvando e me tirando daquela indecisão com relação aos sentimentos de Xena por mim!

  No casamento, o mais doloroso foi ter que me despedir de Xena, pois eu não viajaria mais ao seu lado...

  Xena e eu nos despedimos de uma forma tão bonita, até nos beijamos... Mas foi apenas no cantinho da boca... Naquele momento rezei aos deuses para que ela cumprisse sua promessa: me visitar todos os dias!

  Mas agora estando casada, teria que me acostumar a ficar sem sua companhia, Xena estaria em muitas viagens e eu não a veria com tanta freqüência...

  Quando Perdicas e eu estivemos a sós, nossa lua de mel foi tranqüila, a não ser por um detalhe...

  Eu nunca havia estado com um homem antes... Nunca tinha feito amor com homem nenhum!

  Perdicas foi extremamente carinhoso e respeitoso, completamente paciente! Mas se algo aconteceu naquela noite foi porque meus pensamentos insistiam em trazer a imagem de Xena... Me imaginei completamente entregue em seus braços, nos amando, sendo uma da outra em um momento de plena entrega!

  Quando amanheceu, resolvemos caminhar um pouco, eu estava me sentindo bem, estava me sentindo em paz... Não era tão mal estar casada com ele... Éramos apenas nós dois, sem sangue, violência e nem guerra...

  Mas estávamos errados, Callisto nos encontrou e nos atacou... Perdicas quis me defender, mas Callisto o acertou com um soco no rosto... Quase me matou se não fosse por Xena aparecer bem na hora! Ela conseguiu desferir alguns golpes em Callisto, mas a mesma atacou Perdicas e ele morreu na hora!

  Pergaminho...

 Fiquei tão triste, desolada... Como eu pude perder meu marido um dia depois do casamento? Não adiantou em nada meu esforço, casei para salva-lo e me livrar daquela indecisão, mas foi em vão!!!

  Meus esforços foram por água abaixo...

 Meu coração foi tomado por um ódio mortal, tudo o que eu queria era o sangue de Callisto em minhas mãos, eu queria torturá-la, matá-la, fazê-la pagar pela morte de Perdicas!

  Cheguei a pedir que Xena me ensinasse a manejar a espada, ela não queria, mas acabou cedendo às minhas súplicas!

  Eu estava decidida, queria matar Callisto! Xena tentou me impedir, isso me deu um ódio maior ainda, muito mais quando disse que eu teria meu objetivo, mas da maneira dela!

  Não havia compreendido isso até ver algo...

  Juro que até hoje ainda não acredito que vi aquilo...

  Xena ajoelhada, pedindo aos deuses por mim... Não escutei tudo, apenas o final... Xena nunca respeitou deus algum e vê-la naquela situação, apesar do ódio que eu estava sentindo, partiu meu coração... Ela estava querendo me proteger de mim mesma, enquanto eu estava cega de ódio. Xena queria apenas me proteger, me impedir de cometer um assassinato, salvar a minha inocência...

  Foi doloroso ver Xena se sujeitar àquilo, então decidi não envolvê-la em meus planos... Tive que mentir dizendo que estava indo pra casa, ela acreditou, não pensei que ela cairia naquela mentira, mas sua vontade de que eu não matasse Callisto era tanta que ela acreditou na minha história!

  Me despedi de Xena e fui ao encontro de Callisto... Quando cheguei, ela estava dormindo, estava aparentemente em sono profundo, pois não sentiu minha aproximação...

  Eu estava prestes a matá-la, ia cumprir meu objetivo, eu a tinha em minhas mãos, era só perfurá-la com a espada... Penetrá-la ardorosamente para que sentisse a mesma dor que senti ao perder Perdicas, ao acabar com meus planos, ao destruir o mínimo de esperança que eu havia dado a ele!

  Minha mente foi invadida por lembranças de Perdicas, Xena ajoelhada rezando aos deuses e todos os outros momentos que me fizeram perceber que apesar da dor que Callisto havia me causado, eu não tinha direito de tirar uma vida, mesmo sendo a dela, da assassina de Perdicas!

  Callisto acordou e acabou me prendendo, me usou para pegar Xena e acabou prendendo-a também!

  Mas depois que tudo acabou, Xena me explicou que Callisto havia morrido engolida pela areia movediça...

  Mas pergaminho...

  Se tudo isso tem um lado bom, foi o que me mostrou que não importa o engano que eu esteja querendo cometer, jamais poderei esquecer meus sentimentos por Xena. O casamento foi apenas uma ilusão, eu estava presa apenas pelo afeto que sentia por Perdicas, o fato de já termos sido noivos... Foi isso o que me fez pensar que daria certo... Eu o amo, mas como amigo!

  A dor de perdê-lo não chegou nem aos pés da dor que senti por ter perdido Xena...

  Ela havia sido gravemente ferida, sua coluna havia sido quebrada por um tronco que servia como armadilha enquanto salvávamos algumas pessoas...

  Xena estava sangrando muito e só me pediu que eu a levasse a um curandeiro que eu nem conhecia e muito menos sabia onde ele morava... Mas não me importei e fui atrás dele, não deixaria Xena morrer... Jamais poderia perdê-la, não daquela forma!

  Foi uma viagem extremamente difícil, longa e muito cansativa... Eu também estava ferida, mas nada se comparava aos ferimentos que Xena havia sofrido!

  Finalmente chegamos a casa do curandeiro, ele a examinou detalhadamente, fez tudo que podia, mas infelizmente não foi o bastante...

  Xena não resistiu aos ferimentos e morreu... Me deixou, me abandonou...

  Pergaminho...

  Naquele momento eu me senti desolada, aquele vazio que eu sentia antes dela aparecer, voltou mais torturante do que já era!

  Minha vida não tinha mais sentido, tudo ficou escuro... Aquela luz que iluminava meu coração apagou-se assim que Xena partiu!

  Eu não poderia me despedaçar ali, tive que juntar as poucas forças que ainda me restavam para cumprir a promessa que havia feito... Levar seu corpo até Anfípolis!

  Durante o percurso, encontrei-me com Iolaus, enquanto eu lutava contra saqueadores que queriam roubar o corpo de Xena!

  Mas graças aos deuses, Iolaus apareceu!

  Já não tinha mais forças para lutar sozinha contra aqueles saqueadores do Tártaro!

 Conversamos um pouco e eu não consegui conter as lágrimas... Ele também ficou sem acreditar no que estava vendo, Xena naquele caixão, morta... Mas ele logo se foi, para avisar ao Hércules, antes que os boatos chegassem!

  Depois disso, entramos em território amazona... Quando elas apareceram, tratei de fazer o sinal de paz, todas elas se posicionaram ao redor do caixão de Xena... Quando vi que Ephiny estava entre elas, me senti tão aliviada...

  Ephiny me convidou para ir à tribo, mas eu não podia, tinha que cumprir minha promessa... Mas ela insistiu tanto, que acabei aceitando. Elas queriam que eu tomasse meu posto como rainha e desse um funeral amazona para Xena!

  Enquanto eu resolvia minha desavença com Velasca, acabei aceitando a proposta de Ephiny e tomar o posto que é meu por direito!

   Tomei o posto de rainha, mesmo contra a vontade de Velasca... Mas quando fui visitar o caixão de Xena na tenda, encontrei com Autolycus tentando abri-lo. Eu imaginei que ele quisesse roubar o corpo dela para vender aos que pagariam milhões de dinares por sua cabeça!

  Pergaminho, por mais louco que fosse, eu estava enganada... Autolycus tentou me explicar, mas eu não acreditei...

  O que momentos depois, me mostrou que o julguei mau...

  Durante a cerimônia de cremação, Autolycus apareceu dando saltos e cambalhotas, eu fiquei completamente perplexa com o que estava vendo...

  Autolycus estava mesmo falando a verdade, Xena estava em seu corpo... Ao ver usa-lo o Chakram tão bem, tive a certeza de que era Xena, não sabia como explicar uma coisa dessa, mas era Xena quem estava lá!

  Ele conseguiu tirar o caixão de Xena da pira e eu fugi com ele, tive que ir com ele, mesmo deixando a cerimônia para trás... Fugimos o mais rápido que pudemos, para o mais longe possível...

  Chegando a uma distância segura, tratei logo de fazer com que Autolycus explicasse o que estava acontecendo, como Xena apoderou-se de seu corpo...

  Autolycus ia começar a explicar, quando senti que não era mais ele quem falava, mas Xena... A minha Princesa Guerreira, pedindo que eu fechasse meus olhos e me concentrasse em sua voz...

  Quando fechei os olhos, senti que saí de mim e consegui vê-la ao reabri-los... Eu estava frente a frente com a mulher que amo... Eu não consegui conter minha emoção, queria abraça-la, beijá-la e nunca mais soltá-la... Xena me explicou que poderia voltar, mas pra isso ela precisava da ambrosia e me pediu que a conseguisse! Escutei atentamente suas recomendações e quando eu ia abrir meu coração totalmente pra ela... Pediu que eu não dissesse mais nada e me beijou... Xena e eu estávamos nos beijando...

  Um beijo que há muito tempo desejei, muito tempo queria... Foi lento, paciente, carinhoso, saboroso... Finalmente eu estava tendo a certeza que tanto procurei... Xena também me amava, não só como amiga, como irmã, mas como mulher... Sentir seus lábios nos meus era melhor que o próprio manjar dos deuses! Eu queria aprofundar o beijo, estava a ponto de querer me entregar à ela ali mesmo... Mas infelizmente encerrou-se, quando abri os olhos e dei de cara com Autolycus. Me senti estranha, não fosse o fato dele estar com as mãos em minha bunda!

  Graças aos deuses, Xena e eu nos acertamos e tudo estava bem, agora eu tinha certeza absoluta de que ela me ama... Que nossos sentimentos são recíprocos!

  Autolycus/Xena e eu não perdemos tempo e fomos à procura da ambrosia, Xena já estava ficando fraca e precisava urgentemente dela!

  Velasca fazia de tudo para nos atrapalhar, pois também queria a ambrosia para se tornar deusa... Xena estava aos poucos desaparecendo... Quando chegamos na câmara da ambrosia, Velasca estava bem mais à frente de nós, Autolycus não podia lutar pois estava com o braço quebrado... Mas senti que Xena tinha tomado o controle do meu corpo...

  Estávamos juntas dentro do meu pequeno corpo, jamais pensei que pudesse caber nós duas!

  Mas o dividimos e trabalhamos juntas em busca da ambrosia. Velasca não conseguiu, pois caiu e ficou gravemente ferida... Mas um pedaço do manjar dos deuses, caiu em meu top...

  Quando tudo acabou, Ephiny chegou trazendo o caixão de Xena... Eu não a senti, ela havia sumido, fiquei apavorada por poder ser tarde demais... Não pude perder as esperanças e mesmo assim arrisquei!

  Abrimos o caixão de Xena e eu coloquei a ambrosia em sua boca... Demorou alguns segundos, mas o semblante de Xena tomou a cor de antes... Seus olhos se abriram levemente e senti todo o amor invadir meu coração... Quando ela ia começar a se explicar, entendi de imediato o que ela queria dizer e dei a entender que já sabia que ela me ama como eu a amo... Me senti tão feliz! O vazio que me dominava havia sumido... Minha Princesa Guerreira estava ali, voltando para mim...

   Tudo havia se resolvido, nos despedimos das meninas e também de Autolycus...

  Mas quando Xena e eu ficamos a sós, só queria ficar ali, abraçada com ela, nunca mais soltá-la, e a fiz prometer que jamais me deixaria novamente... e ela prometeu...

  Apesar de ela estar ali ao meu lado, eu ainda não acreditava que ela havia retornado, que estávamos juntas novamente... Nunca havia me sentido tão feliz...

  O melhor de tudo é que tínhamos nos acertado, finalmente estávamos juntas de fato, nossos sentimentos eram os mesmos, Xena me ama como eu a amo...

  A noite de ontem foi a melhor da minha vida, tínhamos nos entendido e Xena abriu totalmente seu coração (e seu corpo) pra mim e eu nunca pude imaginar que houvesse tanto amor em nós... Agora somos amigas e namoradas! Somos um casal apaixonado! Estou tão feliz e completa! 

  Mas pergaminho...

  Agora tenho que ir, pois daqui a pouco temos uma cerimônia para realizar, as amazonas nos esperam!

  Depois escrevo mais...

  Bom dia!




FIM






Esses 13 capítulos do Diário de Gabrielle, que hoje chega ao fim, serviram para nos mostrar que a barda, guerreira e Rainha Amazona de Potédia desde muito cedo apresentou preferência por pessoas de mesmo gênero, sendo esta preferência solidificada quando ela conheceu Xena, sua alma gêmea e grande amor. 
Nossa intenção foi relatar isso, através dessa fanfiction, até meados do episódio The Quest, que é onde acreditamos que Xena e Gabrielle assumiram seus sentimentos perante uma a outra e iniciaram um relacionamento de amor... amor de casal. 
Os acontecimentos que vieram após este episódio são argumentados, com o propósito de explicar as razões que levaram este relacionamento a momentos de separação,  contradição e traição, através da seção Visão Maintexter.
A intenção do Diário de Gabrielle sempre foi a de explicitar a natureza sexual da nossa amada Gabrielle. 

Muito obrigado pela audiência! 
Os autores desse projeto, Matheus Roberto e Monique Cantuário, agradecem muito a cada pessoa que leu e aprovou essa história. 

Mas o Diário de Gabrielle não terminou totalmente!
Há um capítulo especial e exclusivo que só tem no e-book. O link está lá em cima, baixe-o agora! ;)




Diário de Gabrielle - Provando a Teoria GabLes – O Sentimento Secreto




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por Monique Cantuário






    Pergaminho...


   Aqui estou, no meio da madrugada, não consigo dormir. Há poucos minutos aconteceu algo que me fez arrepiar e mais uma vez imaginar se Xena estava dormindo ou não...


   Mas tenho tanta coisa pra contar, prefiro deixar para esclarecer sobre isso depois de contar tudo o que houve durante esses dias!


   Tantas coisas aconteceram e meus sentimentos por Xena só aumentam, não sei se é amor ou apenas uma forte atração...


   Só sei que quando estou ao seu lado, minha pele arrepia e meu coração bate tão forte que é como se fosse sair pela boca!


   Pelos Deuses!


   Acho que vou enlouquecer com tudo isso... Às vezes fico a observando... Seu olhar, seu sorriso, seu modo de falar, quando estão direcionados à mim, me fazem pensar se sente o mesmo...


   Sinto vontade de encará-la, contar tudo o que sinto, tudo o que está se passando comigo, em relação a ela... Mas e se me repreender? Me dizer que estou confundindo as coisas?


   Houve vários momentos em que cheguei a pensar que ela não corresponde aos meus sentimentos...


   Um deles foi quando conhecemos Autolycus, o famoso Rei dos Ladrões. Estávamos a sua procura, pois precisávamos ajudar uns amigos de Xena. Nessa missão eles estavam tão próximos, tão íntimos, ele não deixava de investir pra cima dela e em alguns momentos ela parecia gostar de todo aquele jogo de sedução. Claro, eu fiquei muito enciumada, ainda mais quando viajaram sozinhos...


   Meus deuses! Imaginei tantas e tantas coisas... O tempo em que estavam viajando foi torturante pra mim, não consegui dormir... Ele é muito charmoso, bonitão e convencido, ela é linda, Xena é extremamente linda e só de imaginar que pudesse acontecer algo nesse tempo juntos, me deixava aflita...


   O alívio só veio quando nos reencontramos e eu não pude deixar de pregar uma peça nele, fui contra todos os meus princípios, mas espero que os deuses me perdoem por isso...


   Sem que o “Rei dos Ladrões” percebesse, consegui roubar o anel que ele usava, foi só uma espécie de brincadeirinha... Depois mostrei a Xena o que tinha feito e ela se divertiu...


   Mas pergaminho... Assim que nos reencontrarmos novamente, eu devolverei o anel.
Outro momento em que quase desisti dos meus sentimentos por Xena, foi quando estávamos a procura da chave do titã e encontramos Petracles, um guerreiro ambicioso e Tercites, um assassino. Mas o pior estava por vir, eu jamais poderia imaginar uma coisa dessas...


   Pergaminho...


   Xena já tinha sido noiva de Petracles, quando ela me contou isso, eu fiquei pensando que ele poderia ser um grande e poderoso guerreiro, mas quando o vi, minha cabeça ficou totalmente tomada por dúvidas... Fiquei imaginando em como Xena, uma mulher desse porte, poderia ter caído nas garras de um homem tão... bruto... Minha sede de saber o porquê, fui muito além disso... Em um momento em que Petracles e eu estivemos a sós, nos beijamos, mas não significou nada pra mim... Em minha inocência, eu queria apenas entender o que tinha de tão especial naquele homem, que armas ele usou para conquistá-la...


   Mas me arrependi, eu não devia ter feito aquilo! O pior é que Xena percebeu tudo mas, como sempre, não falou nada comigo. O que me intriga é que ela me proibia de falar com ele como se estivesse com ciúme... Ciúmes de mim... Infelizmente nem o que aconteceu serviu pra que eu soubesse os sentimentos de Xena por mim...


   Os deuses não tem noção de como eu queria saber o que se passa na cabeça daquela guerreira...


   Mas enfim... Pergaminho...


   Mas se tem uma coisa que até hoje me pergunto “Como pode?” é o fato de Xena ter uma sósia, são tantas semelhanças mas, ao mesmo tempo, tantas diferenças que às vezes penso que só pode ter sido obra dos destinos... Mas como Xena sempre me diz: “Quem molda nosso destino somos nós mesmos!”, eu descartei essa hipótese!
Foi incrível o dia em que a conheci, seu nome é...


   Diana... A princesa...


   Foi tão intrigante que era como se Xena tivesse sido separada em duas! Diana, a doce e delicada princesa... Xena, a brava e destemida guerreira...


   Jamais imaginei que pudesse existir alguém assim... Diana é tudo o que eu imaginei para Xena... Mas jamais conseguiria viver sem o lado obscuro dela, esse lado que me fascina, me domina, me entorpece... Eu amo a luz e a escuridão da alma de Xena...


   Mas o bom de tudo foi termos ajudado Diana a casar com seu verdadeiro e único amor... Philemon... Que por incrível que pareça também a amava perdidamente...


   Agora eu fico pensando... Quem dera se eu tivesse a mesma sorte que ele, Xena dizer pra mim o que se passa em seu coração... Mas creio que não...


   Sem falar que a cada dia ela me surpreende mais... Nunca pude imaginar que além de Lyceus, Xena poderia ter mais um irmão, pelo menos ela nunca havia comentado sobre isso. Seu nome é Toris, o irmão mais velho dela. Eles nunca mais tinham se visto desde o ataque de Cortese a Anfipolis, pois Toris havia fugido. O bom é que os dois fizeram as pazes e voltaram às boas. Toris é muito carrancudo, de início não gostei muito dele, mas pelo que vejo, isso é de família!



   Pergaminho...


   Quando eu pensei que as coisas entre Xena e eu estavam começando a andar, eis que ressurge das cinzas o homem pelo qual ela nem tocava mais em seu nome... Era como se o tivesse esquecido...


   Marcus...


   Ele retornou do Tártaro para pedir ajuda de Xena para colocar ordem por lá. Ela não pensou duas vezes em querer ajudá-lo... Foi capaz de dar sua vida por ele, morrer pelo homem que era dado como morto e que eu jamais pensaria que retornaria...


   A determinação de Xena em ajudá-lo, me deixou um pouco triste, cheguei a desistir dos meus sentimentos, pois eu jamais seria capaz de lutar contra algo tão forte que havia entre eles.


   Quando chegaram do Tártaro, Xena me contou que Hades permitiu que Marcus voltasse como mortal, mas apenas por 48 horas. O que pra mim e para eles era tempo suficiente para trocar juras de amor e até algo mais...


   A minha maior tristeza foi mais a noite, quando todos estávamos nos preparando para dormir. Eu estava cansada pois o dia havia sido muito longo e dormi, quando na verdade eu estava apenas fingindo, acho que eu já previa o que aconteceria depois...


   Mesmo com as tentativas frustradas de esconder... Consegui escutar as juras de amor, os gemidos abafados de Xena...


   Não consegui conter as lágrimas, mas tive que disfarçar para não levantar suspeitas... Xena estava apenas se entregando ao seu verdadeiro amor... Apesar dos sentimentos guardado em meu coração, tudo o que importa é a felicidade de Xena, nada é mais importante que isso!


   Mas fora isso, coisas maravilhosas aconteceram, uma delas foi que pude rever minha família, mas para isso tive que deixar Xena sozinha por um tempo... Não queria deixá-la sozinha, mas eu estava precisando daquele tempo ao lado de minha família para procurar por respostas dentro de mim, saber se aquele caminho que eu estava tomando, era mesmo o certo... Após meu momento de medo, coloquei nossas vidas em risco... E cheguei a pensar que eu poderia estar sendo um fardo que ela tivesse de carregar! Naquele momento em que fomos atacadas, ela estava lá para me proteger... E se fosse em outro momento? Ela não estivesse lá? Algo me acontecesse? Xena se culparia pro resto da vida e eu não poderia ser tão egoísta por não reconhecer isso!

   Voltei para Potédia, para o seio de minha família, meu pequeno e pacato vilarejo! Mas ele não estava tão pacato por aqueles dias...


   Damon e seus guerreiros estavam atacando a cidade, os moradores até tinham contratado Meleaguer para ajudar contra Damon, mas ele só vivia bêbado. Sem aguentar mais aquela situação, estarmos entregue às mãos de um guerreiro sem esperanças e embriagado, e eu tive de fazer algo, não poderia deixar todas aquelas pessoas serem reféns de um homem tão sanguinário. Com a ajuda de minha irmã Lila, que por sinal estava se doendo de ciúmes e alegando que eu a tinha trocado por Xena, demos um jeito em Meleaguer e decidimos juntos pelo futuro do vilarejo. Montamos diversas emboscadas para pegar os guerreiros de surpresa, todos os moradores ajudavam no que podiam, Lila ajudava mais ainda, e o que me deixava orgulhosa era que ela não era mais aquela garotinha, mas sim uma mulher linda e inteligente, minha irmã mais nova havia crescido e se tornado uma grande mulher!


   Mas para minha surpresa, Meleaguer desapareceu levando todo o dinheiro da cidade, fiquei numa situação onde me vi entre a cruz e a espada. Todos ficaram com receio de que o pior iria acontecer: Damon invadir a cidade e fazer de todos seus escravos. Mas se tem uma coisa que eu aprendi com Xena foi a nunca desistir, lutar pelo que acreditamos, e foi isso que fiz. Não fugi dos problemas, os enfrentei! Todos concordaram e ajudaram, conseguimos surpreender os guerreiros, mas depois que eles se reagruparam, Meleaguer reapareceu do nada matando todos aqueles homens, nos causando uma surpresa imensa e trazendo a esperança a todos!


   Graças aos deuses tudo ficou bem, conseguimos fazer com que a paz reinasse novamente em nosso vilarejo. Mas Lila me surpreendeu mais ainda, ela viu o que estava em meu coração e me disse coisas que só me fizeram ter mais certeza de que meu lugar é ao lado de Xena e que eu já havia encontrado todas as respostas as quais eu procurava!

   Lila havia arrumado as minhas coisas e então parti, retornando para o lado da pessoa que o destino havia colocado em meu caminho, com mais certeza ainda de que é ao seu lado que eu devo estar!


   No dia que retornei, Xena estava mais carinhosa que o normal. Quando a noite chegou, não dormirmos sob a luz das estrelas, mas sim em uma taverna, com uma cama quentinha e um jantar maravilhoso! Xena me tratava de uma forma como se quisesse me mostrar que eu jamais teria motivos para deixá-la novamente.

Quando fomos dormir, Xena optou por dormir no chão alegando não querer me incomodar...


   Mas pergaminho...


   A cama era enorme e cabíamos perfeitamente sem que me incomodasse! Senti que aquele era o momento de tirar as minhas dúvidas, implorei para que ela não dormisse no chão, ela hesitou um pouco mas acabou concordando. Depois de algumas horas, fingi estar tendo pesadelos e comecei a me mexer... Quando senti que Xena se aproximou de mim, me abraçou e falou baixinho em meu ouvido: “Não tenha medo, estou aqui!” e em seguida me deu um leve beijo no pescoço. Aquelas palavras nunca mais sairão da minha mente... Senti o hálito quente e o toque macio de seus lábios em minha orelha e arrepiando-me a pele... Por alguns momentos pensei que algo mais aconteceria e cheguei a querer me entregar de corpo e alma àqueles braços... Mas não passou disso, acabei entrando em um estado de sono profundo, mas feliz por estar aconchegada em seus braços...


   Tive medo de nunca mais sentir isso quando conhecemos o pai de Xena...


   Atrius...


   Ficamos extremamente surpresas com a inesperada revelação...

Xena não acreditou muito, mas aos poucos ele foi mostrando que sim, que era seu pai.
Em uma breve conversa que tive com Atrius, senti que aquela era a hora de partir, de Xena saber como era ter um pai, de contar sobre sua vida, sobre os seus erros e sobre a grande mulher que se tornou. Eu jamais atrapalharia momentos íntimos entre pai e filha...


   Mas pergaminho...


   Por ter sido condenado por alguns aldeões, Atrius acabou sendo preso e jogado aos abutres, o que deixou Xena revoltada e completamente cheia de ódio, ao ponto de querer matar todas aquelas pessoas... Mas eu não poderia deixar que aquilo acontecesse, Xena jamais poderia matar todos aqueles inocentes... Eu a enfrentei, sem me importar com o que pudesse acontecer, eu a enfrentei, fiquei cara a cara com a guerreira sanguinária que Xena estava prestes a voltar a ser... Eu estava disposta a fazer o que fosse possível para que seu lado obscuro não a dominasse por completo... Nem que, pra isso, eu tivesse que dar a minha vida...


   Mas graças aos deuses... Se é que posso dizer assim...

Xena descobriu que tudo não passava de uma tramoia de Ares para tê-la de volta. Novamente o Deus da Guerra querendo corrompê-la. Usando de sua fraqueza para dominá-la... Trazer de volta a assassina calculista e destruidora de nações...


   Pergaminho, de uma coisa eu tenho certeza, farei o que for possível para que Xena jamais volte a ser o que era antes, mesmo que isso custe a minha vida. Lutarei dia após dia para que a bondade e a paz permaneçam sempre em seu coração e Ares terá que me aturar por muito tempo, pois do que depender de mim, ele jamais a terá... Nunca mais!


   O medo de que Xena voltasse àquela vida, foi quando conhecemos Callisto... Fiquei em situação de extremo risco de morte. Fui ameaçada por um tapado chamado Joxer, mas o derrotei em todas as vezes.

   Mas com Callisto foi diferente, ela era completamente sem escrúpulos e capaz de qualquer coisa para ferir Xena... Meu medo era de que se algo me acontecesse, ela nunca mais soubesse o que é a paz... Aquela paz que se fixou em seu coração, equilibrando o bem e o mal... Tanto que quando Xena me contou sobre o que aconteceu com a família de Callisto, ela estava muito triste, até disse que não saberia o que fazer se algo acontecesse comigo, foi quando fiz ela prometer que se Callisto cumprisse seu objetivo, ela jamais voltaria a vida de destruição e morte... Xena relutou um pouco, mas acabei a convencendo de me fazer essa promessa e ela a fez! Xena chegou até a oferecer uma segunda chance a Callisto, o que me fez enxergar a pureza que há em seu coração, mas claro, Callisto desperdiçou... Teve o fim que mereceu, apodrecer na prisão!


   Pergaminho... Uma coisa inusitada e inesperada aconteceu antes disso, nunca pensei que eu pudesse conseguir, pelo menos não depois do que houve entre Madalin e eu, o que resultou na minha expulsão da academia de Atenas!


   Por uma feliz coincidência acabei descobrindo que estava acontecendo uma competição entre bardos e que os vencedores permaneceriam na academia estudando por quatro anos.

   O doloroso mesmo foi me despedir de Xena, mas ela me encorajou a seguir meus sonhos... Pra falar verdade mesmo, um dos meus motivos foi saber que pra Xena eu era apenas uma irmã, quando tais palavras saíram de sua boca, meus olhos lacrimejaram, tive que conter as lágrimas, eu não poderia chorar na frente dela, mas depois de nos despedirmos, Xena saiu rapidamente, eu cheguei a estranhar o porque dela ter saído daquela forma, nem nos abraçamos...


   Mas enfim, fui atrás de meus sonhos...


   Com a ajuda de Homero, um bardo que estava na disputa, consegui forjar um convite para entrar na academia, o que graças aos deuses deu certo! Homero era um bardo excelente, sem falar em Eurípedes, Twickenham e Stallonus, bardos excelentes!


   Homero estava enfrentando problemas com o pai, ele manipulava a forma como o filho tinha que contar as histórias. Mas até entendo, ele só queria o melhor de Homero. Ficamos tão próximos que pensei em aprofundar ainda mais a amizade que estava surgindo entre nós, pensei que fosse até uma oportunidade de esquecer um pouco os meus sentimentos por Xena... Se não fosse pelo pai de Homero ter me denunciado ao conselho, o que ocasionou na minha segunda expulsão, acho que teria acontecido, mas achei melhor desistir dessa ideia, até cheguei a lamentar esse fato, mas pensando bem, era melhor não usá-lo para esquecer outra pessoa, não acho isso correto!


   Quando estava indo embora, os meninos enfrentaram o conselho em plena exibição, declarando não participar, caso eu não participasse também... O protesto dos meninos deu certo e acabei sendo aceita novamente na competição. Contei minha história, dei o melhor de mim, até que quando saiu o resultado, fui uma das escolhidas, preferi não ficar na academia, até porque cheguei a conclusão de que enquanto eles contam suas histórias, eu as vivencio ao lado de Xena...


   Mas pergaminho... Aconteceu algo muito sério antes de conhecermos Callisto...


   Meu maior desafio foi quando pensei que tinha perdido Xena para sempre... Durante uma luta, Xena foi atingida por um dardo envenenado... Que mais tarde fomos saber que foi Callisto quem o atirou.


   Estávamos ajudando um grande amigo nosso, Salmoneus, a proteger os trabalhadores de uma fábrica... Todos estavam sendo ameaçados por guerreiros de Thalmadeus...


   Pelo fato dela estar impossibilitada de lutar, acabei ficando em seu lugar... Devo confessar que aquela couraça não é nada confortável, mas tive que fazer isso...


   Quando fui encontrar os guerreiros, até consegui enganá-los me passando por Xena, mas na segunda vez, quase fui morta se não fosse pela ajuda de Argo. Aproveitando a distração provocada por ela, consegui escapar... Mas quando cheguei a fábrica para falar com Xena sobre os planos de Thalmadeus, fui barrada por Salmoneus, seu olhar aflito foi o bastante para me dizer o que eu mais temia...


   Fui em direção de Xena, quando vi seu corpo sem vida, desacordado... Me senti desolada, senti que o vazio que havia em meu coração estava voltando e isso me dava medo... Contemplei aquele semblante apagado... Engoli a duras penas todas as lágrimas que eu queria derramar, mas não pude... 

   Chorei por dentro, era uma dor que consumia minha alma, meu coração... Nunca pensei que esse dia chegaria, que eu nunca mais viria aquele sorriso radiante, o olhar profundo, as palavras de carinho... Me arrependi de não ter dito tudo o que estava entalado na minha garganta, tudo o que havia em meu coração... Mas agora já era tarde, só me restava rezar para que ela escutasse meus pensamentos e soubesse de meus sentimentos por ela... Mas a partir daquele momento aquelas pessoas estavam com suas esperanças depositadas em mim, eu não podia pensar somente no meu bem estar... Xena fez uma promessa e eu devia cumprir e assim o fiz. Mas antes eu precisava fazer algo, eu precisava descarregar toda a dor que eu sentia...

   Pedi licença a Salmoneus e sai para o meio da floresta levando meu cajado... Desferi golpes e mais golpes na primeira árvore que encontrei, cada golpe representava uma oportunidade de falar pra Xena tudo o que estava dentro do meu coração, tudo o que estava em minha alma... Toda a minha dor... Até o momento em que tive de colocar a cabeça no lugar e cumprir com o objetivo e com minha promessa a Xena... Levar seu corpo de volta para Anfípolis...


   No dia seguinte, descobri que Salmoneus tinha levado o corpo de Xena para Thalmadeus e fui busca-lo... Enfrentei todos os soldados com toda as forças que ainda me restaram, mas infelizmente, por um descuido meu, Thalmadeus conseguiu me pegar... Todos seriamos mortos se não fosse pelo fato inesperado...


   Xena levantou-se no exato momento em que um dos soldados ia chicotear Argo...


   Só os deuses sabem da felicidade que ficou em meu coração... Da alegria em vê-la retornar pra mim... Para todos nós...

   No fim de tudo, conseguimos derrotar Thalmadeus e Xena me agradeceu pelo meu esforço em levar seu corpo até o seio de sua família... Jamais quero passar por uma coisa dessas.... Nunca mais quero sequer imaginar minha vida sem Xena...



   Pergaminho...


   Algo muito estranho aconteceu enquanto estávamos indo em direção a Atenas... Encontramos Ephiny escondida no caminho, grávida de Phantes... Fomos ao templo de Eusclépio, pois com a guerra que estava havendo por lá, era o único lugar seguro. Nos deparamos com diversos feridos, graves e não-graves...


   Quando as coisas estavam piorando, um pai aflito pediu que eu fosse buscar seu filho que estava no meio de toda confusão e assim o fiz, quase derrotei um dos soldados se não posse por ter sido atingida violentamente. Tentei voltar para o templo rastejando mas não consegui... Quando acordei eu estava deitada em uma maca no templo e Xena me olhava com um olhar triste... Xena cuidou de mim e depois pediu que eu descansasse... Só que horas depois, senti que alguém havia se aproximado de mim e percebi que era Xena, se lamentando por não ter tomado o caminho que eu indiquei e que estava muito triste pelo que havia acontecido comigo...


   Eu chorava por dentro, cheguei a ter medo do destino de Xena caso algo acontecesse comigo... Eu queria me levantar, dizer à ela que não importa o que aconteça, eu sempre a levaria em meu coração... Mas não pude, eu estava cansada demais para isso...


   Momentos depois, enquanto eu descansava, uma forte dor tomou conta do meu corpo, eu só me debatia, tentei fazer aquilo parar, mas era mais forte do que eu e de repente adormeci...


   Só lembro que quando abri meus olhos, eu estava em um local de campos verdes, brisa leve, o céu estava completamente azul, sem nenhum vestígio de nuvens... As pessoas estavam todas vestidas em túnicas brancas, inclusive eu e comiam alegremente e dividiam uns com os outros... De repente vi uma pessoa muito familiar, tinha a mesma altura que eu, profundos olhos verdes e sorria pra mim, até que reconheci, era minha avó. Corri para abraçá-la e ela me recebeu de braços abertos e ainda me chamou de “minha pequenina”, era como ela costumava me chamar... A abracei com muita força, como se nunca mais fosse solta-la até que senti alguém me tocar no ombro, quando olhei, era Talus, estava mais lindo do que nunca, seu semblante estava radiante... O abracei fortemente, pedi licença pra minha avó e fui conversar com ele. Talus me contou que tudo naquele lugar era calmo, alegre e cheio de paz... Sem que eu dissesse algo, ele me contou que sempre escutou meu coração e o de Xena, pediu que eu não deixasse para depois o que eu tinha que fazer agora. Simplesmente deixei aquelas palavras penetrarem em minha mente e meu coração se encheu de alegria. Depois ele colocou a mão em meu coração e disse: “Vá em paz, Gabrielle!”... Do nada eu comecei a desaparecer, uma sensação estranha tomou conta do meu corpo, escutei gritos a uma longa distância e uma dor tomava conta do meu peito. Os gritos e a dor só aumentavam. Nesse instante despertei abruptamente e com meus pulmões sedentos por ar. Quando me dei conta, eu estava nos braços de uma Xena aflita e ao mesmo tempo feliz por me ver despertar.


   Xena me mandou descansar, minutos depois vi o filho de Ephiny, era um centauro lindo e cheio de saúde.... Depois Xena me chamou para partirmos e disse que descansaríamos em Anfipolis até que eu me recuperasse por completo.... Os dias em que ficamos aos cuidados de Cyrene foram os melhores de minha vida... Xena cuidou de mim como nunca alguém havia cuidado antes... Quando me recuperei, nós partirmos em uma grande e nova jornada....


   Todos esse dias foram muito importantes pra mim, esse primeiro ano ao lado de Xena, me fez aprender coisas que jamais irei esquecer...


   Agora sobre o que acontecera há alguns minutos atrás...


   Enquanto dormíamos, Xena novamente me abraçou e entrelaçou suas pernas nas minhas, nossos corpos estavam completamente colados como se nunca mais fossem se soltar... Sua respiração atingia minha pele... De repente, Xena se afasta bruscamente, eu me levantei completamente sem graça e resolvi escrever...


   Mas pergaminho...


   Após minha experiência de quase morte, vejo que as palavras de Talus fazem sentido, Xena mudou completamente em seu modo de me tratar e esses abraços involuntários passaram a ser mais freqüentes... Mas quem sabe algum dia eu crie coragem e conte a ela tudo o que sinto....


   Pergaminho...


   Agora vou tentar dormir, tivemos um longo dia e preciso descansar...


   Boa noite!




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