Diário de Gabrielle - Provando a Teoria GabLes - A Morte




"Estou tão triste...
Todo mundo que eu amo morre... Será que faço mal para as pessoas que eu amo?
Hoje é meu aniversário de 12 anos e nem comemorei... Depois do que aconteceu ontem nem sei mais se quero comemorar alguma coisa na vida...
Primeiro foi Tympani, meu pônei que eu amava, e agora o Nestor... 
Por que, deuses? Por que?
Por que tiram de mim quem eu amo?
Não entendo... 

Tympani nunca me deixou montá-lo e também ninguém mais... Penso que era por medo de alguém cair e se machucar. Ele cuidava de mim e eu cuidava dele. Então uma noite fui dar comida pra ele e ele não quis comer... No dia seguinte ele deitou e não levantou mais... E foi Nestor quem mais me ajudou a superar a perda... Agora, quem vai me ajudar a superar a dor de perder Nestor?
Minha mãe disse que ele estava doente fazia tempo, mas eu não sabia disso, ninguém me contou, nem o próprio Nestor... 

Meus pais ficaram enrolando pra fazer minha festinha hoje. Festinha essa que não aconteceu... 
Ontem, pela manhã, fui correndo até a casa do Nestor pra convidar ele pra minha festa. Bati na porta e nada de ele me atender. Nestor sempre acordou muito cedo... Fui até atrás da casa pra ver se o cavalo dele estava lá e estava... Concluí que ele não havia saído, não para muito longe. Como só tínhamos 1 dia pra organizar a festa, eu precisava encontrá-lo o quanto antes. Eu queria que ele escrevesse um poema pra ler pra mim na hora... 

Saí correndo pela vila para encontrá-lo. Imaginei que ele pudesse ter ido ao mercado. Mas não. Ninguém o tinha visto ainda. Voltei até a casa dele e bati mais forte na porta... nada. Fui até as janelas e bati mais. Nada de novo... Desisti, imaginando que ele havia viajado de outra forma... Mas por que não me disse nada?

Voltando pra casa cabisbaixa, encontrei Perdicas. Ele me perguntou o que acontecera e eu disse. Então ele me falou que Nestor não teria viajado, pois havia combinado de encontrar no dia seguinte com o pai dele na lavoura para acertar umas coisas sobre a safra. Perdicas e eu voltamos e começamos a bater mais forte na porta e janelas... Mas Nestor não aparecia. Perdicas imaginou que ele tivesse ficado de porre na noite anterior e estava dormindo pesado. Então ele pegou um ferro lá no estábulo e arrombou a porta. Entramos. 

No quarto, encontramos Nestor deitado na cama, de bruços. Perdicas começou a cutucá-lo, mas ele não acordava. "Nestor? Nestor, acorde!", eu pedia. Pedi ajuda ao Perdicas para virá-lo e, ao fazermos isso, vimos que Nestor estava com os olhos abertos. Perdicas levou os dedos ao pescoço dele e constatou: Nestor estava morto. 

Eu não aceitei quando ele disse. Sacudi Nestor o quanto pude, mas ele não acordou... Saí correndo pela vila. Mamãe e Lila, que estavam na rua, me viram e correram atrás de mim. Chorando muito, mal consegui falar, mas mamãe entendeu o que eu disse. Lila foi chamar meu pai no campo, enquanto mamãe e eu fomos para a casa de Nestor. Perdicas já não estava mais lá. Aliás, não o vi mais depois disso. 

Na casa de Nestor, mamãe afirmou que ele estava morto e me disse que ele estava muito doente há muitas luas, com uma forte tosse que o consumia. Eu via ele tossindo, mas achava que era por causa da idade. 

Me sinto tão sozinha... Nestor iria me levar para Atenas, para conhecer a academia... e agora? Como irei? Quem vai me arrumar pergaminhos? Quem vai me dizer que sou capaz de escrever e me tornar uma exímia contadora de histórias? Para quem vou ler? Escrever? Quem será meu melhor amigo? 

Tympani se foi, Nestor se foi... Por favor, deuses, não levem também minha irmã e meus pais... 

Desculpe por lhe dar essa notícia tão triste, pergaminho, mas você é o único amigo que tenho nesse momento... Acabo de chegar do funeral de Nestor e... dói, dói muito. 

Aqueles que amamos não deveriam simplesmente morrer e sumir de nossas vidas, mas se esse é nosso destino, então poderia ser diferente: poderíamos ser avisados e preparados, não assim, de surpresa. E mais: quem morre, deveria poder continuar nos encontrando e nos guiando, nos protegendo e conversando conosco, como se não estivessem mortos. "



por Math Pitbull



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