Diário de Gabrielle - Provando a Teoria GabLes – A Confirmação



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Cap. 6 por Monique Cantuário




   Pergaminho, um ano se passou desde a última vez em que escrevi...


   Estou desolada, não posso me casar com Pérdicas. Eu simplesmente não o amo. Passei todo esse tempo pensando no que aconteceu entre Madalin e eu, pensando também em tudo o que ela me disse! Como pude ser tão covarde? Não contei a verdade aos meus pais!


   Eu preciso ir embora daqui, pra algum lugar! Atenas, Esparta, quem sabe lá eu possa ser uma guerreira e me livrar de tudo isso! Na academia não tenho mais chance, então nem adianta mais eu ir até lá. Eles me reconheceriam na hora! Pelos Deuses! Eu agradeceria até um raio mandado por Zeus do que me casar com quem não amo!


   O que eu faço, pergaminho? O que eu faço?


   Já tenho 16 anos e nunca mais me esqueci daquelas palavras ditas por Madalin. Aquilo foi libertador e só me fez abrir os olhos para quem realmente sou.


   Vou te contar uma coisa que aconteceu há uns dois meses atrás...


   Lila e eu caminhávamos na floresta, mas ao alcance de nossa casa, para não nos perdermos. Falávamos sobre filhos, casamento, namoro e nos lembrávamos de coisas que fazíamos quando criança. Quando estávamos voltando para casa, já ao final da tarde, uma amiga de Lila, Herínia, ela é linda, lindos olhos azuis, cabelos vermelhos, mais alta do que eu, pouca coisa...


   Mas enfim, deixa eu continuar...


   Ela foi em nossa direção, cumprimentou Lila e depois me cumprimentou. Elas conversavam como duas grandes amigas, de vez em quando Herínia tentava me colocar na conversa, mas eu não queria me meter, para não atrapalhar. Sentindo-me desconfortável, avisei a Lila que estava voltando para casa, ela concordou, me retirei e as duas ficaram conversando.


   Horas depois, já a noite, eu estava colocando a mesa para o jantar, Lila chega em casa com Herínia, pois havia a convidado para jantar conosco. Nossos pais concordaram. Mamãe, hospitaleira como sempre, já foi logo “mandando” Herínia ficar a vontade. Lila pediu pra que eu fizesse companhia a Herínia, enquanto ela fosse ajudar mamãe na cozinha.


   Herínia e eu ficamos conversando, ela era muito decidida, sempre me fazia perguntas diretas que me obrigavam a responder claramente. Isso me deixava sem saber o que fazer. Mas ela era muito inteligente e isso me deixava atônita. Ela me elogiava, dizia que Lila contava a ela sobre eu ser uma barda e que sempre achou o máximo. Depois de muito tempo de conversa, fomos a mesa e jantamos todos juntos. Logo após o jantar, Herínia foi embora, mas antes despediu-se de Lila, agradeceu o jantar e depois me deu um beijo carinhoso na bochecha e depois disse para que eu nunca desistisse dos meus sonhos. Pois se eu quisesse, eu conseguiria. Isso me chocou, pois eu não a conhecia muito. Mas agradeci o conselho, ela sorriu pra mim e depois foi embora.


   Depois disso, ela passou a ir com mais freqüência em minha casa, eu contava histórias pra ela. Sempre me deu os mais variados elogios e que eu tenho muito talento para ser uma grande barda. E todos os dias eram assim...


   Mas pergaminho, o grande acontecimento estava por vir...


   Eu estava rabiscando algumas coisas em uns pergaminhos, quando ouço batidas na porta, quando abri, era Herínia, mais linda e radiante do que nunca. Convidei-a para entrar, mas ela não quis e disse que gostaria que eu fosse a sua casa. Concordei, deixei meus pergaminhos em cima de minha cama e sai com Herínia.


   Chegando a sua casa, ela disse que queria me mostrar uma coisa, achei estranho de inicio, mas concordei. Herinia foi buscar, quando retornou ela trazia alguns pergaminhos que gostaria que eu lesse pra ela. Perguntei do que se tratava, ela respondeu dizendo que eram de sua já falecida mãe, que só não se tornou uma barda porque seu pai nunca deixou. Eu comecei a abri-los, eram lindos, limpos e bem conservados. A cada palavra lida, eu apreciava ainda mais, pois eram histórias que só uma verdadeira barda poderia escrever. Li todos, Herínia escutava atentamente. Terminando a leitura, olhei pra ela e percebi que seus olhos lacrimejavam, estava emocionada. Depois ela se aproximou de mim, sentou-se ao meu lado, me olhou profundamente e disse que era lindo o modo como eu me portava e de como eu lia os pergaminhos.        Ficamos por uns segundos em silêncio, quando senti uma onda de calor correr sobre meu corpo, algo que até então nunca havia sentido... Então segurei o rosto de Herínia e a beijei, eu me arrepiava a cada toque dos nossos lábios, ela logo correspondeu ao beijo.


   Seus lábios eram doces e macios. Nosso beijo ficava cada vez mais profundo. Quando, por falta de ar, paramos de nos beijar. Eu fiquei sem jeito, pois achei que ela não teria gostado. Herínia foi logo tratando de me acalmar, dizendo que gostou do beijo e que queria repeti-lo por mais vezes.


   Foi quando combinamos de nos encontrar às escondidas, dias após dia, ficamos assim por umas semanas.    Quando em uma tarde, fui ao local combinado e ela não estava. Fiquei por horas e horas esperando, mas nada de Herínia aparecer.

   Voltei para casa, quando abri a porta, dei de cara com Lila, que disse que estava a horas procurando por mim, pois tinha um recado de Herínia. Perguntei do que se tratava e ela me disse que Herínia tinha ido embora com o pai, pois o mesmo havia conseguido um trabalho em Atenas e não poderia mais viver aqui.    Agradeci a Lila e depois fui até meu quarto, me senti desolada, chorei como criança, pois eu gostava de encontrá-la. Nossos beijos eram maravilhosos, melhores que os de Pérdicas. Fiquei triste por dias, mas logo me acostumei com a idéia de não mais vê-la.


   Pergaminho... Sabe a conclusão que tirei disso tudo?


   O que Herínia e eu tivemos serviu apenas para confirmar o que eu descobri em Madalin. Quem realmente sou e o que realmente sinto.


   Só tenho medo do que meus pais possam pensar...


   Mamãe diz que tenho pensamentos estranhos, que não me entende. Mas como? Como ela irá me entender? Será difícil pra ela! Seria tão bom que os deuses abrissem os olhos dela e mostrasse quem sou.    Ela sempre diz que tenho que casar, ter filhos, ser uma esposa exemplar...


   Mas não posso! Eu vivo dizendo a ela que agradeço pela forma com a qual me criou, mas que não poderia pagar por isso com meu futuro. Não posso! Eu nasci para grandes aventuras, para contar muitas histórias... Eu sou uma barda... Não nasci para casar, pelo menos não com Pérdicas. Muito menos depois de minha descoberta.


   Só espero ter logo coragem para enfrentar meus pais, antes que eu cometa o pior erro da minha vida: “Casar com Pérdicas!”




Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. Noooooossa, que profundo e ... lindo!
    Eu consegui ver a Gabby escrevendo isso, é bem a cara da Gabby mais nova, quem conhece, consegue imaginar...Parabéns!! ;*

    Tsubasa

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