Diário de Gabrielle - Provando a Teoria GabLes – O Sentimento Secreto




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por Monique Cantuário






    Pergaminho...


   Aqui estou, no meio da madrugada, não consigo dormir. Há poucos minutos aconteceu algo que me fez arrepiar e mais uma vez imaginar se Xena estava dormindo ou não...


   Mas tenho tanta coisa pra contar, prefiro deixar para esclarecer sobre isso depois de contar tudo o que houve durante esses dias!


   Tantas coisas aconteceram e meus sentimentos por Xena só aumentam, não sei se é amor ou apenas uma forte atração...


   Só sei que quando estou ao seu lado, minha pele arrepia e meu coração bate tão forte que é como se fosse sair pela boca!


   Pelos Deuses!


   Acho que vou enlouquecer com tudo isso... Às vezes fico a observando... Seu olhar, seu sorriso, seu modo de falar, quando estão direcionados à mim, me fazem pensar se sente o mesmo...


   Sinto vontade de encará-la, contar tudo o que sinto, tudo o que está se passando comigo, em relação a ela... Mas e se me repreender? Me dizer que estou confundindo as coisas?


   Houve vários momentos em que cheguei a pensar que ela não corresponde aos meus sentimentos...


   Um deles foi quando conhecemos Autolycus, o famoso Rei dos Ladrões. Estávamos a sua procura, pois precisávamos ajudar uns amigos de Xena. Nessa missão eles estavam tão próximos, tão íntimos, ele não deixava de investir pra cima dela e em alguns momentos ela parecia gostar de todo aquele jogo de sedução. Claro, eu fiquei muito enciumada, ainda mais quando viajaram sozinhos...


   Meus deuses! Imaginei tantas e tantas coisas... O tempo em que estavam viajando foi torturante pra mim, não consegui dormir... Ele é muito charmoso, bonitão e convencido, ela é linda, Xena é extremamente linda e só de imaginar que pudesse acontecer algo nesse tempo juntos, me deixava aflita...


   O alívio só veio quando nos reencontramos e eu não pude deixar de pregar uma peça nele, fui contra todos os meus princípios, mas espero que os deuses me perdoem por isso...


   Sem que o “Rei dos Ladrões” percebesse, consegui roubar o anel que ele usava, foi só uma espécie de brincadeirinha... Depois mostrei a Xena o que tinha feito e ela se divertiu...


   Mas pergaminho... Assim que nos reencontrarmos novamente, eu devolverei o anel.
Outro momento em que quase desisti dos meus sentimentos por Xena, foi quando estávamos a procura da chave do titã e encontramos Petracles, um guerreiro ambicioso e Tercites, um assassino. Mas o pior estava por vir, eu jamais poderia imaginar uma coisa dessas...


   Pergaminho...


   Xena já tinha sido noiva de Petracles, quando ela me contou isso, eu fiquei pensando que ele poderia ser um grande e poderoso guerreiro, mas quando o vi, minha cabeça ficou totalmente tomada por dúvidas... Fiquei imaginando em como Xena, uma mulher desse porte, poderia ter caído nas garras de um homem tão... bruto... Minha sede de saber o porquê, fui muito além disso... Em um momento em que Petracles e eu estivemos a sós, nos beijamos, mas não significou nada pra mim... Em minha inocência, eu queria apenas entender o que tinha de tão especial naquele homem, que armas ele usou para conquistá-la...


   Mas me arrependi, eu não devia ter feito aquilo! O pior é que Xena percebeu tudo mas, como sempre, não falou nada comigo. O que me intriga é que ela me proibia de falar com ele como se estivesse com ciúme... Ciúmes de mim... Infelizmente nem o que aconteceu serviu pra que eu soubesse os sentimentos de Xena por mim...


   Os deuses não tem noção de como eu queria saber o que se passa na cabeça daquela guerreira...


   Mas enfim... Pergaminho...


   Mas se tem uma coisa que até hoje me pergunto “Como pode?” é o fato de Xena ter uma sósia, são tantas semelhanças mas, ao mesmo tempo, tantas diferenças que às vezes penso que só pode ter sido obra dos destinos... Mas como Xena sempre me diz: “Quem molda nosso destino somos nós mesmos!”, eu descartei essa hipótese!
Foi incrível o dia em que a conheci, seu nome é...


   Diana... A princesa...


   Foi tão intrigante que era como se Xena tivesse sido separada em duas! Diana, a doce e delicada princesa... Xena, a brava e destemida guerreira...


   Jamais imaginei que pudesse existir alguém assim... Diana é tudo o que eu imaginei para Xena... Mas jamais conseguiria viver sem o lado obscuro dela, esse lado que me fascina, me domina, me entorpece... Eu amo a luz e a escuridão da alma de Xena...


   Mas o bom de tudo foi termos ajudado Diana a casar com seu verdadeiro e único amor... Philemon... Que por incrível que pareça também a amava perdidamente...


   Agora eu fico pensando... Quem dera se eu tivesse a mesma sorte que ele, Xena dizer pra mim o que se passa em seu coração... Mas creio que não...


   Sem falar que a cada dia ela me surpreende mais... Nunca pude imaginar que além de Lyceus, Xena poderia ter mais um irmão, pelo menos ela nunca havia comentado sobre isso. Seu nome é Toris, o irmão mais velho dela. Eles nunca mais tinham se visto desde o ataque de Cortese a Anfipolis, pois Toris havia fugido. O bom é que os dois fizeram as pazes e voltaram às boas. Toris é muito carrancudo, de início não gostei muito dele, mas pelo que vejo, isso é de família!



   Pergaminho...


   Quando eu pensei que as coisas entre Xena e eu estavam começando a andar, eis que ressurge das cinzas o homem pelo qual ela nem tocava mais em seu nome... Era como se o tivesse esquecido...


   Marcus...


   Ele retornou do Tártaro para pedir ajuda de Xena para colocar ordem por lá. Ela não pensou duas vezes em querer ajudá-lo... Foi capaz de dar sua vida por ele, morrer pelo homem que era dado como morto e que eu jamais pensaria que retornaria...


   A determinação de Xena em ajudá-lo, me deixou um pouco triste, cheguei a desistir dos meus sentimentos, pois eu jamais seria capaz de lutar contra algo tão forte que havia entre eles.


   Quando chegaram do Tártaro, Xena me contou que Hades permitiu que Marcus voltasse como mortal, mas apenas por 48 horas. O que pra mim e para eles era tempo suficiente para trocar juras de amor e até algo mais...


   A minha maior tristeza foi mais a noite, quando todos estávamos nos preparando para dormir. Eu estava cansada pois o dia havia sido muito longo e dormi, quando na verdade eu estava apenas fingindo, acho que eu já previa o que aconteceria depois...


   Mesmo com as tentativas frustradas de esconder... Consegui escutar as juras de amor, os gemidos abafados de Xena...


   Não consegui conter as lágrimas, mas tive que disfarçar para não levantar suspeitas... Xena estava apenas se entregando ao seu verdadeiro amor... Apesar dos sentimentos guardado em meu coração, tudo o que importa é a felicidade de Xena, nada é mais importante que isso!


   Mas fora isso, coisas maravilhosas aconteceram, uma delas foi que pude rever minha família, mas para isso tive que deixar Xena sozinha por um tempo... Não queria deixá-la sozinha, mas eu estava precisando daquele tempo ao lado de minha família para procurar por respostas dentro de mim, saber se aquele caminho que eu estava tomando, era mesmo o certo... Após meu momento de medo, coloquei nossas vidas em risco... E cheguei a pensar que eu poderia estar sendo um fardo que ela tivesse de carregar! Naquele momento em que fomos atacadas, ela estava lá para me proteger... E se fosse em outro momento? Ela não estivesse lá? Algo me acontecesse? Xena se culparia pro resto da vida e eu não poderia ser tão egoísta por não reconhecer isso!

   Voltei para Potédia, para o seio de minha família, meu pequeno e pacato vilarejo! Mas ele não estava tão pacato por aqueles dias...


   Damon e seus guerreiros estavam atacando a cidade, os moradores até tinham contratado Meleaguer para ajudar contra Damon, mas ele só vivia bêbado. Sem aguentar mais aquela situação, estarmos entregue às mãos de um guerreiro sem esperanças e embriagado, e eu tive de fazer algo, não poderia deixar todas aquelas pessoas serem reféns de um homem tão sanguinário. Com a ajuda de minha irmã Lila, que por sinal estava se doendo de ciúmes e alegando que eu a tinha trocado por Xena, demos um jeito em Meleaguer e decidimos juntos pelo futuro do vilarejo. Montamos diversas emboscadas para pegar os guerreiros de surpresa, todos os moradores ajudavam no que podiam, Lila ajudava mais ainda, e o que me deixava orgulhosa era que ela não era mais aquela garotinha, mas sim uma mulher linda e inteligente, minha irmã mais nova havia crescido e se tornado uma grande mulher!


   Mas para minha surpresa, Meleaguer desapareceu levando todo o dinheiro da cidade, fiquei numa situação onde me vi entre a cruz e a espada. Todos ficaram com receio de que o pior iria acontecer: Damon invadir a cidade e fazer de todos seus escravos. Mas se tem uma coisa que eu aprendi com Xena foi a nunca desistir, lutar pelo que acreditamos, e foi isso que fiz. Não fugi dos problemas, os enfrentei! Todos concordaram e ajudaram, conseguimos surpreender os guerreiros, mas depois que eles se reagruparam, Meleaguer reapareceu do nada matando todos aqueles homens, nos causando uma surpresa imensa e trazendo a esperança a todos!


   Graças aos deuses tudo ficou bem, conseguimos fazer com que a paz reinasse novamente em nosso vilarejo. Mas Lila me surpreendeu mais ainda, ela viu o que estava em meu coração e me disse coisas que só me fizeram ter mais certeza de que meu lugar é ao lado de Xena e que eu já havia encontrado todas as respostas as quais eu procurava!

   Lila havia arrumado as minhas coisas e então parti, retornando para o lado da pessoa que o destino havia colocado em meu caminho, com mais certeza ainda de que é ao seu lado que eu devo estar!


   No dia que retornei, Xena estava mais carinhosa que o normal. Quando a noite chegou, não dormirmos sob a luz das estrelas, mas sim em uma taverna, com uma cama quentinha e um jantar maravilhoso! Xena me tratava de uma forma como se quisesse me mostrar que eu jamais teria motivos para deixá-la novamente.

Quando fomos dormir, Xena optou por dormir no chão alegando não querer me incomodar...


   Mas pergaminho...


   A cama era enorme e cabíamos perfeitamente sem que me incomodasse! Senti que aquele era o momento de tirar as minhas dúvidas, implorei para que ela não dormisse no chão, ela hesitou um pouco mas acabou concordando. Depois de algumas horas, fingi estar tendo pesadelos e comecei a me mexer... Quando senti que Xena se aproximou de mim, me abraçou e falou baixinho em meu ouvido: “Não tenha medo, estou aqui!” e em seguida me deu um leve beijo no pescoço. Aquelas palavras nunca mais sairão da minha mente... Senti o hálito quente e o toque macio de seus lábios em minha orelha e arrepiando-me a pele... Por alguns momentos pensei que algo mais aconteceria e cheguei a querer me entregar de corpo e alma àqueles braços... Mas não passou disso, acabei entrando em um estado de sono profundo, mas feliz por estar aconchegada em seus braços...


   Tive medo de nunca mais sentir isso quando conhecemos o pai de Xena...


   Atrius...


   Ficamos extremamente surpresas com a inesperada revelação...

Xena não acreditou muito, mas aos poucos ele foi mostrando que sim, que era seu pai.
Em uma breve conversa que tive com Atrius, senti que aquela era a hora de partir, de Xena saber como era ter um pai, de contar sobre sua vida, sobre os seus erros e sobre a grande mulher que se tornou. Eu jamais atrapalharia momentos íntimos entre pai e filha...


   Mas pergaminho...


   Por ter sido condenado por alguns aldeões, Atrius acabou sendo preso e jogado aos abutres, o que deixou Xena revoltada e completamente cheia de ódio, ao ponto de querer matar todas aquelas pessoas... Mas eu não poderia deixar que aquilo acontecesse, Xena jamais poderia matar todos aqueles inocentes... Eu a enfrentei, sem me importar com o que pudesse acontecer, eu a enfrentei, fiquei cara a cara com a guerreira sanguinária que Xena estava prestes a voltar a ser... Eu estava disposta a fazer o que fosse possível para que seu lado obscuro não a dominasse por completo... Nem que, pra isso, eu tivesse que dar a minha vida...


   Mas graças aos deuses... Se é que posso dizer assim...

Xena descobriu que tudo não passava de uma tramoia de Ares para tê-la de volta. Novamente o Deus da Guerra querendo corrompê-la. Usando de sua fraqueza para dominá-la... Trazer de volta a assassina calculista e destruidora de nações...


   Pergaminho, de uma coisa eu tenho certeza, farei o que for possível para que Xena jamais volte a ser o que era antes, mesmo que isso custe a minha vida. Lutarei dia após dia para que a bondade e a paz permaneçam sempre em seu coração e Ares terá que me aturar por muito tempo, pois do que depender de mim, ele jamais a terá... Nunca mais!


   O medo de que Xena voltasse àquela vida, foi quando conhecemos Callisto... Fiquei em situação de extremo risco de morte. Fui ameaçada por um tapado chamado Joxer, mas o derrotei em todas as vezes.

   Mas com Callisto foi diferente, ela era completamente sem escrúpulos e capaz de qualquer coisa para ferir Xena... Meu medo era de que se algo me acontecesse, ela nunca mais soubesse o que é a paz... Aquela paz que se fixou em seu coração, equilibrando o bem e o mal... Tanto que quando Xena me contou sobre o que aconteceu com a família de Callisto, ela estava muito triste, até disse que não saberia o que fazer se algo acontecesse comigo, foi quando fiz ela prometer que se Callisto cumprisse seu objetivo, ela jamais voltaria a vida de destruição e morte... Xena relutou um pouco, mas acabei a convencendo de me fazer essa promessa e ela a fez! Xena chegou até a oferecer uma segunda chance a Callisto, o que me fez enxergar a pureza que há em seu coração, mas claro, Callisto desperdiçou... Teve o fim que mereceu, apodrecer na prisão!


   Pergaminho... Uma coisa inusitada e inesperada aconteceu antes disso, nunca pensei que eu pudesse conseguir, pelo menos não depois do que houve entre Madalin e eu, o que resultou na minha expulsão da academia de Atenas!


   Por uma feliz coincidência acabei descobrindo que estava acontecendo uma competição entre bardos e que os vencedores permaneceriam na academia estudando por quatro anos.

   O doloroso mesmo foi me despedir de Xena, mas ela me encorajou a seguir meus sonhos... Pra falar verdade mesmo, um dos meus motivos foi saber que pra Xena eu era apenas uma irmã, quando tais palavras saíram de sua boca, meus olhos lacrimejaram, tive que conter as lágrimas, eu não poderia chorar na frente dela, mas depois de nos despedirmos, Xena saiu rapidamente, eu cheguei a estranhar o porque dela ter saído daquela forma, nem nos abraçamos...


   Mas enfim, fui atrás de meus sonhos...


   Com a ajuda de Homero, um bardo que estava na disputa, consegui forjar um convite para entrar na academia, o que graças aos deuses deu certo! Homero era um bardo excelente, sem falar em Eurípedes, Twickenham e Stallonus, bardos excelentes!


   Homero estava enfrentando problemas com o pai, ele manipulava a forma como o filho tinha que contar as histórias. Mas até entendo, ele só queria o melhor de Homero. Ficamos tão próximos que pensei em aprofundar ainda mais a amizade que estava surgindo entre nós, pensei que fosse até uma oportunidade de esquecer um pouco os meus sentimentos por Xena... Se não fosse pelo pai de Homero ter me denunciado ao conselho, o que ocasionou na minha segunda expulsão, acho que teria acontecido, mas achei melhor desistir dessa ideia, até cheguei a lamentar esse fato, mas pensando bem, era melhor não usá-lo para esquecer outra pessoa, não acho isso correto!


   Quando estava indo embora, os meninos enfrentaram o conselho em plena exibição, declarando não participar, caso eu não participasse também... O protesto dos meninos deu certo e acabei sendo aceita novamente na competição. Contei minha história, dei o melhor de mim, até que quando saiu o resultado, fui uma das escolhidas, preferi não ficar na academia, até porque cheguei a conclusão de que enquanto eles contam suas histórias, eu as vivencio ao lado de Xena...


   Mas pergaminho... Aconteceu algo muito sério antes de conhecermos Callisto...


   Meu maior desafio foi quando pensei que tinha perdido Xena para sempre... Durante uma luta, Xena foi atingida por um dardo envenenado... Que mais tarde fomos saber que foi Callisto quem o atirou.


   Estávamos ajudando um grande amigo nosso, Salmoneus, a proteger os trabalhadores de uma fábrica... Todos estavam sendo ameaçados por guerreiros de Thalmadeus...


   Pelo fato dela estar impossibilitada de lutar, acabei ficando em seu lugar... Devo confessar que aquela couraça não é nada confortável, mas tive que fazer isso...


   Quando fui encontrar os guerreiros, até consegui enganá-los me passando por Xena, mas na segunda vez, quase fui morta se não fosse pela ajuda de Argo. Aproveitando a distração provocada por ela, consegui escapar... Mas quando cheguei a fábrica para falar com Xena sobre os planos de Thalmadeus, fui barrada por Salmoneus, seu olhar aflito foi o bastante para me dizer o que eu mais temia...


   Fui em direção de Xena, quando vi seu corpo sem vida, desacordado... Me senti desolada, senti que o vazio que havia em meu coração estava voltando e isso me dava medo... Contemplei aquele semblante apagado... Engoli a duras penas todas as lágrimas que eu queria derramar, mas não pude... 

   Chorei por dentro, era uma dor que consumia minha alma, meu coração... Nunca pensei que esse dia chegaria, que eu nunca mais viria aquele sorriso radiante, o olhar profundo, as palavras de carinho... Me arrependi de não ter dito tudo o que estava entalado na minha garganta, tudo o que havia em meu coração... Mas agora já era tarde, só me restava rezar para que ela escutasse meus pensamentos e soubesse de meus sentimentos por ela... Mas a partir daquele momento aquelas pessoas estavam com suas esperanças depositadas em mim, eu não podia pensar somente no meu bem estar... Xena fez uma promessa e eu devia cumprir e assim o fiz. Mas antes eu precisava fazer algo, eu precisava descarregar toda a dor que eu sentia...

   Pedi licença a Salmoneus e sai para o meio da floresta levando meu cajado... Desferi golpes e mais golpes na primeira árvore que encontrei, cada golpe representava uma oportunidade de falar pra Xena tudo o que estava dentro do meu coração, tudo o que estava em minha alma... Toda a minha dor... Até o momento em que tive de colocar a cabeça no lugar e cumprir com o objetivo e com minha promessa a Xena... Levar seu corpo de volta para Anfípolis...


   No dia seguinte, descobri que Salmoneus tinha levado o corpo de Xena para Thalmadeus e fui busca-lo... Enfrentei todos os soldados com toda as forças que ainda me restaram, mas infelizmente, por um descuido meu, Thalmadeus conseguiu me pegar... Todos seriamos mortos se não fosse pelo fato inesperado...


   Xena levantou-se no exato momento em que um dos soldados ia chicotear Argo...


   Só os deuses sabem da felicidade que ficou em meu coração... Da alegria em vê-la retornar pra mim... Para todos nós...

   No fim de tudo, conseguimos derrotar Thalmadeus e Xena me agradeceu pelo meu esforço em levar seu corpo até o seio de sua família... Jamais quero passar por uma coisa dessas.... Nunca mais quero sequer imaginar minha vida sem Xena...



   Pergaminho...


   Algo muito estranho aconteceu enquanto estávamos indo em direção a Atenas... Encontramos Ephiny escondida no caminho, grávida de Phantes... Fomos ao templo de Eusclépio, pois com a guerra que estava havendo por lá, era o único lugar seguro. Nos deparamos com diversos feridos, graves e não-graves...


   Quando as coisas estavam piorando, um pai aflito pediu que eu fosse buscar seu filho que estava no meio de toda confusão e assim o fiz, quase derrotei um dos soldados se não posse por ter sido atingida violentamente. Tentei voltar para o templo rastejando mas não consegui... Quando acordei eu estava deitada em uma maca no templo e Xena me olhava com um olhar triste... Xena cuidou de mim e depois pediu que eu descansasse... Só que horas depois, senti que alguém havia se aproximado de mim e percebi que era Xena, se lamentando por não ter tomado o caminho que eu indiquei e que estava muito triste pelo que havia acontecido comigo...


   Eu chorava por dentro, cheguei a ter medo do destino de Xena caso algo acontecesse comigo... Eu queria me levantar, dizer à ela que não importa o que aconteça, eu sempre a levaria em meu coração... Mas não pude, eu estava cansada demais para isso...


   Momentos depois, enquanto eu descansava, uma forte dor tomou conta do meu corpo, eu só me debatia, tentei fazer aquilo parar, mas era mais forte do que eu e de repente adormeci...


   Só lembro que quando abri meus olhos, eu estava em um local de campos verdes, brisa leve, o céu estava completamente azul, sem nenhum vestígio de nuvens... As pessoas estavam todas vestidas em túnicas brancas, inclusive eu e comiam alegremente e dividiam uns com os outros... De repente vi uma pessoa muito familiar, tinha a mesma altura que eu, profundos olhos verdes e sorria pra mim, até que reconheci, era minha avó. Corri para abraçá-la e ela me recebeu de braços abertos e ainda me chamou de “minha pequenina”, era como ela costumava me chamar... A abracei com muita força, como se nunca mais fosse solta-la até que senti alguém me tocar no ombro, quando olhei, era Talus, estava mais lindo do que nunca, seu semblante estava radiante... O abracei fortemente, pedi licença pra minha avó e fui conversar com ele. Talus me contou que tudo naquele lugar era calmo, alegre e cheio de paz... Sem que eu dissesse algo, ele me contou que sempre escutou meu coração e o de Xena, pediu que eu não deixasse para depois o que eu tinha que fazer agora. Simplesmente deixei aquelas palavras penetrarem em minha mente e meu coração se encheu de alegria. Depois ele colocou a mão em meu coração e disse: “Vá em paz, Gabrielle!”... Do nada eu comecei a desaparecer, uma sensação estranha tomou conta do meu corpo, escutei gritos a uma longa distância e uma dor tomava conta do meu peito. Os gritos e a dor só aumentavam. Nesse instante despertei abruptamente e com meus pulmões sedentos por ar. Quando me dei conta, eu estava nos braços de uma Xena aflita e ao mesmo tempo feliz por me ver despertar.


   Xena me mandou descansar, minutos depois vi o filho de Ephiny, era um centauro lindo e cheio de saúde.... Depois Xena me chamou para partirmos e disse que descansaríamos em Anfipolis até que eu me recuperasse por completo.... Os dias em que ficamos aos cuidados de Cyrene foram os melhores de minha vida... Xena cuidou de mim como nunca alguém havia cuidado antes... Quando me recuperei, nós partirmos em uma grande e nova jornada....


   Todos esse dias foram muito importantes pra mim, esse primeiro ano ao lado de Xena, me fez aprender coisas que jamais irei esquecer...


   Agora sobre o que acontecera há alguns minutos atrás...


   Enquanto dormíamos, Xena novamente me abraçou e entrelaçou suas pernas nas minhas, nossos corpos estavam completamente colados como se nunca mais fossem se soltar... Sua respiração atingia minha pele... De repente, Xena se afasta bruscamente, eu me levantei completamente sem graça e resolvi escrever...


   Mas pergaminho...


   Após minha experiência de quase morte, vejo que as palavras de Talus fazem sentido, Xena mudou completamente em seu modo de me tratar e esses abraços involuntários passaram a ser mais freqüentes... Mas quem sabe algum dia eu crie coragem e conte a ela tudo o que sinto....


   Pergaminho...


   Agora vou tentar dormir, tivemos um longo dia e preciso descansar...


   Boa noite!




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