FanFic - I'll Never Leave You - Capítulo V


por Caroline Pessoa





Capitulo III e Capitulo IV




                Na tribo as mulheres começaram cedo os trabalhos diários, polindo as armas, alimentando os cavalos, indo e vindo com cestos. Xena e Gabrielle despediram-se das companheiras amazonas agradecendo pela noite. A rainha lamentou a partida das duas, mas ainda ofereceram alimentos às amigas que aceitaram humildemente desejando sorte com o tratado. Xena e Gabrielle refizeram o seu caminho sem ao menos imaginar o desenlace daquele dia.
                - Sabe, agora que me lembrei de uma coisa – Gabrielle espreguiçava-se enquanto falava – eu tive sonhos estranhos essa noite.
                Xena olhara de esguelha para Gabrielle.
                - É mesmo? – Ela riu despreocupada – Talvez tenha sido o leite que você tomou antes de dormir. Leite de cabra é forte para você.
                - Hum... Não. Eu acho que não foi isso. –Gabrielle insistiu intrigada – Eu realmente não consigo me lembrar com exatidão, mas eu lembro de ter visto uma grande luta, um homem com o rosto borrado dando uma gargalhada pavorosa e uma adaga brilhante de prata.
                Xena sentiu o sangue congelar nas veias.
                - Só foram sonhos confusos. – Tentou tranquilizar a outra que mantinha um vinco na testa do esforço que fazia para lembrar.
                De repente, Xena para e ouve algo distante parecido com passos de cavalo. Mas eram muitos passos. O gelo escorregava lentamente para o estômago dela. Xena estava olhando para todos os lados, enquanto Gabrielle perguntava espantada sobre o que estava acontecendo. Porém, agora, a voz da menina loira era muito distante, por que ela precisava concentrar-se para ouvir e captar mais sons que dessem a certeza de que algo estava errado.
                - Xena? Xena? – Gabrielle sacudia o braço dela – O que houve?
                Xena olhara para Gabrielle com visível preocupação.
                - Espere aqui com Argo. – Ela olhou seriamente para a outra.
                - Não, eu vou com você para ajudar e...
                - Gabrielle, não! – Xena alterou a voz assustando Gabrielle. - Eu voltarei em instantes. – Xena subiu nas árvores e desapareceu em seguida, deixando Gabrielle completamente desnorteada.
                - Vamos, Argo. Acho que precisam da nossa ajuda – ela observou a floresta. – Por aqui. – Puxou a rédea de Argo e seguiu silenciosamente. - Por que ela sempre faz isso? – Gabrielle disse irritada e Argo bufou.
                 De cima de um galho grosso, Xena vira homens vestidos com armaduras e elmos, carregando a bandeira vermelha do imponente Império Romano.
                - Mas como...? - Precisou segurar-se com firmeza para não desequilibrar-se. Para crer no que via seus olhos. – Desde quando eles chegaram aqui? – Ela tentou vasculhar a mente para lembrar-se de alguém seguindo-as durante a viagem. Mas nada.
                 Era Roma armada até os dentes em um ataque surpresa às amazonas. De onde eles surgiram, ela não sabia. Lembrou-se do tratado de paz recusando-se a acreditar que aquilo era obra de Otávio Augusto.
                 As guerreiras que faziam a guarda da floresta subiam e desciam das árvores, atirando flechas. Algumas delas lutavam com espadas na terra. Tentavam contê-los. A muito custo, Xena tentou recompor-se e colocou sua mente para trabalhar.
                 O primeiro passo era voltar e avisar o perigo a Gabrielle o quanto antes. Mandá-la diretamente às amazonas para que se preparassem para uma provável guerra. Depois voltaria para ajudar às guerreiras. Aquele ataque poderia representar qualquer coisa, mas precisava proteger Gabrielle do perigo – não quis arriscá-la.
                 A mulher morena saltava nos galhos enquanto as imagens das suas amigas povoavam sua mente, deixando-a aterrorizada. Mas não podia fraquejar, por que existia alguém infinitamente mais importante do que a própria vida. Alguém que corria perigo mortal.
                 - Gabrielle! – Disse sentindo uma grande angústia.
                 Xena avistou Gabrielle aproximando-se sorrateiramente e pulou aterrissando centímetros à frente.
                 - O que foi que eu disse...
                 - São soldados romanos. Eu vi um deles correndo e me escondi para verificar – ela disse séria. – O que está acontecendo?
                 Xena não quis explicar.
                 - Monte em Argo e corra diretamente para a tribo. Não pare por nada, entendeu? – Ela tinha um ar grave, seus olhos metálicos lampejavam medo e preocupação.
                 - C-certo, eu vou. Estou indo. – Gabrielle olhou-a nos olhos – Mas só me diga o que está acontecendo.
                 - Roma. Está vindo. Um ataque surpresa, não sabemos como ou por que. Diga à rainha que precisamos de reforços. – Xena olhou para os lados e mais uma vez para Gabrielle – Vá!
                 Xena ajudou Gabrielle a montar rápido no cavalo, deu um tapa nas ancas de Argo que disparou floresta adentro. A mulher guerreira voltara para as árvores para ajudar as companheiras, que lutavam desesperadas para conter os homens enfurecidos pelas palavras de ódio e vingança proferidas por aquele que voltara dos mortos.
                 Argo continuou galopando por entre as árvores, até que teias de cordas foram jogadas em cima dele e de Gabrielle. Atônito, o cavalo espantou-se e empinou derrubando Gabrielle. Os quatro homens saltaram em cima dela com espadas e azagaias afiadas, sem seu cajado Gabrielle ficara indefesa. A saída era render-se por enquanto. Argo correu pela floresta deixando Gabrielle só. Xena não iria ouvi-la e ela não gritaria por ajuda.
                 - César quer ver você menina – disse a voz grave de um dos soldados.
                 Gabrielle estacou de repente entre os braços do homem que a segurava.
                 - Como disse?
                 - Eu disse César! – O homem moreno a encarou com um brilho amedrontado nos olhos.
                 - César? Como assim César? Caio Júlio César? – Gabrielle perguntou com descrença.
                 O homem moreno deu uma piscadela para o rapaz mais jovem com uma cicatriz no olho esquerdo para empurrar Gabrielle.
                 - César está morto. Vocês estão mentindo – Gabrielle debochou dos soldados.
                 O soldado que estava no comando do sequestro de Gabrielle, retirou uma adaga suja de sangue e encostou-a no pescoço dela.
                 - Se você acha graça, então vamos ver como o Grande César arrancará sua cabeça e dará para os abutres.
                 Sentindo o mau hálito do homem, Gabrielle franziu o nariz, porém o encarou.
                 - Mas como...?
                 - Isso não é da sua conta. Agora cale a boca e ande antes que eu mesmo mate você.
                 Enquanto eles caminhavam na floresta, Gabrielle estava absorta em seus próprios pensamentos. Sentiu uma pontada de medo e preocupação. Não sabia como tudo aquilo era possível. Não sabia se Xena já tinha idéia do que estava acontecendo e se dessa vez elas conseguiriam escapar com vida das mãos do tirano. Ela estava visivelmente perturbada por saber que César estava vivo. Como, ela ainda não tinha certeza, mas era óbvio que algum deus estava por detrás daquilo. Perguntou-se o que levaria Hades a ressuscitá-lo se o tempo de vida de César já tinha se esvaído. Não entendia nada, apenas mantinha-se em silêncio com sua lógica, tentando maquinar formas de comunicar-se com Xena.
                 Eles a levaram até os cavalos e amarraram as mãos de Gabrielle com uma corda grossa, em seguida, saíram aos galopes, obrigando-a a correr. Ela tropeçava e se cortava com os gravetos secos, o mato açoitava-lhe a pele ao mesmo tempo em que tentava manter o ritmo, por que se caísse, seria arrastada por cima das pedras e espinhos.
                 No território de caça das amazonas havia uma pequena guerra sendo travada entre homens e mulheres. Só o que se ouvia eram gritos de dor e carne sendo rasgada. As espadas trincavam-se. O inconfundível grito de guerra da mulher morena com roupa de couro sobressaiu. Ela soltara no ar a estranha arma redonda de metal que zunia da velocidade cortando o vento e gargantas de soldados. Xena não conteve seus golpes letais em nenhum daqueles homens que matavam a sangue frio suas amigas amazonas.
                  Ela golpeava-os com rapidez usando técnicas leves e rápidas nos pontos de pressão, derrubando até o maior deles. Covardemente, um homem de cabeça raspada de pele amarela acertou-a pelas costas com um grosso pedaço de pau. Xena caiu sem ar no chão. Ele ia desferir o segundo golpe que seria mortal, se uma das amazonas não tivesse feito um corte profundo em seu pescoço musculoso, a ponto de quase arrancar-lhe a cabeça, segura apenas por um pedaço de pele.
                 - Obrigada, Maia – Xena levantou com a ajuda da mulher ruiva de aspecto sereno.
                 - Tome cuidado – ela advertiu Xena.
                 - Você também – deu um pequeno tapa nas costas de Maia e continuou com a luta.
                 Xena avançava derrubando dois homens de uma só vez. Furiosa ela não media a força dos socos que desferia nos homens. Correu, e de um salto conseguiu pousar em cima de um cavalo castanho, machucando um pouco a coxa esquerda no impacto. Sem se importar, disparou com a espada empunhada cortando todos os homens que tentavam derrubá-la. As amazonas resistiam bravamente. Lutavam sem medo de morrer usando técnicas quase imbatíveis que dizimavam os soldados de César, embora algumas delas caíssem sem vida pelo campo.
                 Ao final, o grupo de homens fora derrotado barbaramente. As amazonas gritaram vitória, mas mesmo depois de vencerem, Xena ainda não conseguia sentir que tudo havia sido resolvido. Porém, no momento seu pensamento estava consumido por Gabrielle. A preocupação lhe enchia de angústia, de premonições que ela queria esquecer e manter-se firme.
                  - Preciso encontrar Gabrielle – disse para si mesma limpando o sangue da espada. Andou um pouco mais e encontrou o chakram preso no pescoço de um soldado.
                  - Xena! – Maia gritou – Capturei esse enquanto tentava fugir, ele será útil para interrogá-lo.
                  - Segure-o firme! – Xena gritou de volta, correu o melhor que pode até Maia, o cansaço agia em seus músculos.
                 O homem estava com um longo corte na testa, o sangue escorria pela face machucada dos socos e pontapés. Xena chegara perto dele com olhar selvagem e lhe aplicou dois golpes ágeis com os dedos em pontos específicos do pescoço ensanguentado. No mesmo momento o homem caiu de joelhos fraco, o fluxo de sangue fora cortado para o cérebro deixando-o pálido. Filetes vermelhos escorriam pelo nariz.
                  - O fluxo do seu sangue para o cérebro foi cortado e você tem exatamente 30 segundos para me dizer quem ordenou esse ataque e o porquê. – Xena disse dura.
                 O homem engasgou com a própria saliva e tentou falar temendo pela vida.
                  - F-foi ele que – o homem parou um segundo – e-e voltou...
                  - Ele quem? – Ela perguntou com ferocidade.
                  - C-césar. César voltou.
                  Xena aplicou novamente os golpes fazendo o fluxo sanguíneo do homem voltar ao normal, mas já era tarde por que ele falecera nos braços de Maia, estava fraco demais para resistir aquele golpe. Elas o deixaram caído sem vida e se retiraram arrastando os corpos das guerreiras mortas.
                  Xena estava perplexa. No meio da massa humana sem vida ela olhava fixo para o nada, relembrando aquele sonho pavoroso que tivera naquela noite. Sentindo o peso dos ferimentos, ela fora obrigada a voltar à realidade, mesmo que as lágrimas estivessem empoçando seus olhos azuis metálicos – ela as engoliu, forçou-as a voltar. Não podia chorar. Não podia se desesperar. Faria qualquer coisa para proteger Gabrielle, mesmo que morresse.
                  - Vamos voltar para o vilarejo, já temos as informações que precisamos.
                 Ao chegarem à tribo, todas as amazonas estavam agitadas. Xena vasculhou o lugar, mas não viu Gabrielle. Várias mulheres corriam para ajudar outras mulheres machucadas. Algumas com ferimentos graves, outras desmaiadas e outras caídas de forma que nunca mais levantariam. Havia choros e dor por filhas, irmãs e companheiras que estavam mortas. Aquelas mulheres embora fortes, sucumbiam ao peso da dor por suas irreparáveis perdas.
                 Uma amazona jovem que passou correndo foi parada subitamente por Xena.
                  - Onde está a Gabrielle? – Ela perguntou nervosa.
                  - Quem? – A menina estranhou.
                  - Gabrielle, a minha amiga. Ela é loira... – Xena olhava-a quase como se pedisse para que a moça dissesse qualquer coisa para aliviá-la e dar-lhe a certeza que Gabrielle estava viva e segura.
                  - Ela não está conosco, eu sinto muito.
                  - Como ela não está aqui? – Xena encarou com fúria a menina apertando com força o braço dela.
                  - Me solta – a menina olhou com medo – eu não a vi por aqui. Não vê? Estamos concentradas em nossas irmãs feridas.
                  Xena soltou o braço da menina em choque.
                  - Desculpe, me desculpe, por favor. - Xena correu para as tendas para procurar Gabrielle. – Ela está aqui. Ela está aqui. Ela está... – repetia freneticamente.
                  Em vão, Xena procurou em todo lugar, sabendo que Gabrielle não estava ali. Parou para olhar as amazonas. Precisava manter o foco e se concentrar. O melhor a se fazer era arquitetar um plano para resgatar Gabrielle e assegurar que César, seja lá como tiver saído do mundo dos mortos, nunca mais voltasse ao mundo dos vivos.
                  - Eu juro – trincou os dentes. 



Segunda-feira, Capítulo 6



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