FanFic - I'll Never Leave You - Capítulo VII


por Caroline Pessoa








Capitulo VI






                    A sala era construída de blocos de pedras. Haviam tornos de ferro enferrujado com correntes para os prisioneiros serem torturados. Suspensa quase um metro do chão sujo, erguia-se uma cama de pedra tão dura quanto as que usaram para construir o lugar. Os ratos faziam companhia à prisioneira agrilhoada, solitária e machucada dos socos – fora esbofeteada pelo homem de semblante cruel. Ele perturbava-lhe a mente sobre como despedaçaria Xena, enquanto torturava-a. Mas ela não quis ouvir.
                   - Xena... – ela olhara para a luz fria e azul que saia da janela de grades de ferro grossas – Onde está você?
                  Gabrielle estava além de torturada fisicamente. Sentia uma grande preocupação com Xena, por que não conseguiu arranjar um jeito de sair dali para avisá-la do grande perigo que ressuscitara. De repente, passos violentos a acordaram de seu transe deixando-a amedrontada – eles estavam ali de novo. O homem grande e musculoso. E o homem mais baixo, moreno e cruel.
                   - Guardas! – Disse César num gesto para abrir a cela de Gabrielle.
                   Ela olhou-o enojada.
                   - Supus que você estivesse se sentindo solitária aqui – ele sorriu malicioso – queria saber se... – César aproximou-se mais dela – se você não estaria interessada em me ajudar a ser mais criativo...
                   Ele tocou com a ponta do dedo o corte no canto da boca de Gabrielle.
                   Ela cuspiu a mão dele.
                   Ele sorriu. Socou-a no rosto mirando em uma mancha roxa acentuada.
                   Gabrielle sentiu o sangue escorrer, o inchaço crescente e a dor lancinante que se espalhava em ondas pelo rosto e pelo ego. Sentiu-se fraca e inútil.
                   - O que você acha que está fazendo? – Ele perguntou irônico.
                   Mesmo gemendo de dor ela o encarou com firmeza.
                   - Resistindo.
                   César olhou-a gargalhando longamente. Agachou-se de modo que Gabrielle pudesse sentir seu hálito neutro.
                   - Vocês heróis têm uma mania de resistirem a tudo... – olhou a luz azul da janela – É tudo tão... Dramático, tão trágico! – Disse com sarcasmo – Eu adoro um heroísmo utópico. Vocês lutam fingindo terem os corações puros, as almas límpidas... – chutou um rato para longe. – Xena é tão cruel quanto os inimigos que ela destrói.
                   - Não... Não. Você está enganado. Ela não é mais...
                   - Aquela pessoa que destrói? – Ele interrompeu erguendo-se. – Oh não? Não creio que Xena esteja pensando na vida de suas amigas amazonas. – César olhou para ela e viu a confusão nos olhos azuis manchados de dor de Gabrielle. – Ah, mas essa novidade eu não lhe contei, não foi?
                   Ele colocou a mão na cintura.
                    - As amazonas estão se preparando para lutar contra Roma, ou seja, contra mim. Tudo isso, por que Xena quer salvar sua vida desprezível... Sozinha ela não poderia. Ela está arrastando para o abate todas aquelas porcas por sua causa. – Ele ergueu uma sobrancelha – Não acha que é um motivo ínfimo para tal causa?
                   Gabrielle ficou perturbada. Não queria que nenhuma das amazonas se arriscasse por ela. Mas a sua voz não tinha poder ali dentro, enjaulada.
                    - Acha mesmo que Xena irá conseguir me derrotar e salvá-la depois? O que eu quero é que ela venha mesmo até mim. Por que eu sei que vem...
                    Ela olhou-o firmemente com seus grandes olhos azuis.
                    - Você pode ter voltado do mundo dos mortos, mas continua cometendo o mesmo erro de antes – Gabrielle reunira toda a coragem que ainda tinha. – No final, o que vai cegá-lo e destruí-lo não será Xena... Será o seu ódio por ela.
                    César não se moveu. Nem sentiu intimidação. Apenas via-se com superioridade. Achou que não deveria responder, mas agir. Ele chutou-a no estômago e nas costelas fraturando-lhe uma. Com mãos e pés acorrentados, Gabrielle nada pôde fazer para defender-se.
                     - O chicote. – Disse para o soldado carcereiro. – Está enganada – chicoteou as costas de Gabrielle – eu não a odeio. – Mais uma chicotada. – Eu não tenho mais sentimentos humanos. Mas devo confessar que a estimo pela coragem que tem em me enfrentar. – Chicoteou-a outra vez. - Na verdade, minha cara... Para mim tudo isso não passa de um divertimento para que... – o chicote lanhou a garganta de Gabrielle fazendo-a gritar – eu possa fazer um pouco de alongamento, depois que voltei do submundo.
                     César rodopiou o couro e lançou-o contra a pele em fogo de Gabrielle.
                     - Eu sou o César. E ela, apenas Xena.
                     Sentindo o chicote em suas costas, Gabrielle fechou os olhos como se isso fosse amenizar a dor. Ela estava com o rosto, a garganta, o peito e as costas em chamas.
                     Tentou gemer o mínimo possível e aguentar calada o resto das surras que levava. Precisava sobreviver ao menos para dizer a Xena que a amava e agradecer pelo esforço.
                     “Eu quero sobreviver”. Pensou.
                     César parou. Gabrielle ficara inerte no chão, sentindo o gosto do sangue na boca misturado às grossas lágrimas que rolavam de seu rosto machucado. Tentou a muito custo respirar, mas não conseguiu mexer um dedo com medo que a dor aumentasse mais do que era possível.
                     - Tenha um bom dia e aproveite bem sua solitária. – Saiu.
                     - Xena... Xena... – balbuciou.
                     A luz azul iluminava-a e o frio tornava tudo mais insuportável. Seu corpo tremia frágil e ferido, o chão era gelado e sujo. Ela aspirava a poeira e aquilo doía intensamente. Onde estaria Xena? Por que ela ainda não veio? E as amazonas, o que havia acontecido com todas elas?
                     Na verdade, o que Gabrielle mais queria era que aquilo acabasse de uma vez por todas. Ela desejava o sono profundo do qual nunca acordaria, não sentiria frio, dor... Medo. Só o nada. O vazio.
                     Nos aposentos do imperador, César contemplava Roma.
                     - Deixe-me. – César disse a Ceo e este saiu fazendo reverência após bater com o punho no peito e pronunciar “César” – Ninguém... Apenas eu – ele sorvia o ar que circulava pela grande janela. – Oh, querida...! – Inspirou longamente o cheiro da cidade. – Minha ira esmagará qualquer um que entrar em meu caminho – tocou a espada e depois tirou-a do cinto num movimento brusco apontando-a para o horizonte. – Se eu não for seu dono, não haverá outro em meu lugar.
                     A densidade do ar ficou pesada.
                     - Onde está seu plano para começar o ataque? – Ares estava encostado em um dos pilares de sustentação.
                     César virou-se para encará-lo sorridente.
                      - Meu caro... Meus homens estão dispostos. Prontos. Eles irão esmagar cada vadia que se opuser a mim e... Ao final – sorriu ainda mais largo – Xena.
                     Ares observou-o.
                      - O seu trabalho anda impecável em torturar a amiga dela... – ele sumiu e se materializou em pé.
                      - Disso eu já sei – César interrompeu-o.
                     Ares levantou uma sobrancelha presunçosa.
                      - Oh! Sabe? E quanto a minha Xena? – Desafiou.
                      - Conheço as táticas de Xena. Sei como se movimenta – ele guardou a espada e tirou uma adaga de prata lambendo-a, olhando para o nada – virá até mim... As amazonas sem ela serão presas fáceis, são fortes, mas não têm o senso de liderança que, infelizmente tenho que admitir, aquela vadia tem. – Ele pegou uma maçã grande e vermelha e deu uma longa mordida, deixando escorrer pelos cantos da boca a saliva misturada ao sumo da fruta. – Eu irei vencer... Farei com que ela fique louca. Eu não serei somente o imperador de Roma e sim o grandioso deus, o protetor, o juiz, o pai, a mãe...
                      Sorriu Ares malicioso.
                      - É só dizer quando e o exército estará lá.
                      César meneou a cabeça de olhos fechados.
                      - O chamarei quando estivermos prontos.
                      - Não esqueça que o ódio de Xena será o revelador de sua conduta – Ares suspirou como se estivesse apaixonado – E só assim eu a terei de volta. – Sua voz ficou mais distante enquanto ele sumia no espaço.
                      - Dividir e conquistar.
                      César caminha até a grande janela e sobe no parapeito abrindo os braços. O vento forte assobia em seus ouvidos e ele ouve uma multidão gritar seu nome embevecida.
                      - César! César! César! – A multidão invisível estava lá embaixo, sob seus pés.
                      - Veni, vidi, vici ²! – Gritou ao vento aquelas palavras quando Ceo presenciando a estranha.
                      - Senhor! Por favor, desça daí, há perigo onde o senhor encontra-se! Tenho notícias sobre o exército.
                      César pulou para dentro e satisfeito, atirou uma banana para Ceo que aparou-a no ar.
                      - Tolo. Lembra-se que não morro mais. – Suspirou pesado. - Diga-me – ele estendeu a mão para que o homem fosse beijá-la.
                      - Senhor, as tropas estão prontas.
                      - De acordo com o planejado? – Perguntou César arqueando uma sobrancelha curiosa.
                      - Sim senhor. Seguiremos em concordância com vosso plano. – Pigarreou e pegou um mapa estendendo-o sobre a mesa – Estes são os domínios de Roma. As amazonas estão aqui, em Temiscira, junto a foz do rio Termodonte. Nós iremos posicionar o número maior de homens aqui, onde a floresta não é tão densa. Nós os manteremos escondidos, enquanto um grupo menor irá atacá-las, guiando-as até os soldados que estarão escondidos...
                      - Em um ataque surpresa infalível – ele disse como se visse cena por cena da luta.
                      - Senhor, estamos prontos. Moveremo-nos assim que nos der o sinal. – Disse Ceo prontamente.
- Amanhã – ele disse não só para Ceo, mas para o invisível que tinha ouvidos colados nele – amanhã, ao meio-dia nós iremos invadi-las, destruí-las e torná-las minha propriedade. Alea jacta est. ³ – César apanhou um áureo e lançou-o pela janela. – Mande aprontar um banquete. Os homens precisam estar saciados para crerem que vencerão.
                      - Sim senhor.
                      Ceo saíra do quarto de César para preparar os soldados e o banquete.
                      “Sou eu que ficarei ao lado dele. Eu ‘. Pensou.

² Vim, vi, venci.
³ A sorte está lançada. 




Segunda-feira, Capítulo 8


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