FanFic - I'll Never Leave You - Capítulo VIII


por Caroline Pessoa



Capitulo VII







                   A noite caíra silenciosa. O céu noturno estava um breu. Apenas as estrelas davam pontos de luz aqui e acolá. As crianças amazonas brincavam formando desenhos enquanto as guerreiras mais velhas trabalhavam com fervor para se prepararem para uma guerra. Elas cavavam valas, fincavam estacas no chão, derrubavam algumas árvores, preparavam barricadas. O inimigo era poderoso. E tinha mais de dois olhos. A sombra dele parecia estar em todos os lugares observando-as e rangendo os dentes de fome da carne delas. Não sabiam como ele chegaria. O suor escorria-lhes pela testa, pelo pescoço e o colo.
                   - Mamãe, mamãe! – Disse uma menininha com vestes surradas e uma tiara de couro na cabeça – Olhe para cima! O monstro mau – ela apontava com grandiosos olhos castanhos a forma imaginária no céu.
                   A mãe sorriu gentil. Deu um tapinha carinhoso nos ombros magricelas da menina incentivando-a a brincar com as outras crianças.
                   Na tenda da rainha, Xena tentava acalmar sua ansiedade. Ela andava lentamente fazendo um círculo no chão pensando.
                   “Gabrielle”.
                   Fechava os olhos azuis metálicos com força, como se aquelas intenções fossem enviadas à amiga. Ela saiu, sentindo-se claustrofóbica. Aspirou o ar frio profundamente.
                    - Eu juro – disse entre dentes trincados – eu os pegarei... – olhou para a lua redonda e amarela, o céu estava pintado de estrelas e ela se lembrou de quando Gabrielle adormecia deitada em seu peito contando histórias. Uma lágrima grossa rolou de sua face. Lembrou-se do sonho macabro, da história de Ares e de Alti.
                    Parou para respirar novamente.
                    - Se Alti conseguiu trazê-lo de volta é claro que as Três Faces do Destino teriam que modificar o presente de alguém. – Ela pensou no imperador que sucedeu César – Pobre Otávio.
                    Xena percebeu que não importava a história contada. Estava desesperada e sem muitas opções a não ser um combate direto e sua entrada furtiva no palácio. Embora levasse dias. Mas tentaria. A única verdade mais importante do momento era que César tinha Gabrielle nas mãos e ela corria sério perigo de vida.
                    “Preciso resgatá-la”. Pensou. “Preciso”. Fechou a mão em punho, sentindo as unhas cortarem as palmas da mão.
                    Saiu para sentir-se útil.
                    - Está tudo indo bem, nós estamos quase lá. – Disse Leah.
                    - O que me preocupa é o número de guerreiras...
                    - Não fique – ela pousou a mão no ombro de Xena – nós temos guerreiras suficientes para combatê-los. Não somos mulheres de temer o inimigo.
                    Xena sorriu torto e confiante.
                    - Eu sei é que... – baixou a cabeça – Essa situação me preocupa e Gabrielle... – sua voz quebrou-se.
                    Leah compreendeu o sufoco de Xena, porque também temia pela vida de Gabrielle.
                    - Ela é tão forte quanto você – Leah tentou tranquilizá-la. – Vamos salvá-la.
                    Uma amazona morena correu até a tenda com uma mensagem enviada de Roma para a rainha Hélade.
                    - Xena. Agora. – Disse Hélade quando recebeu o pergaminho.
                    Pouco tempo depois, Xena aparece na tenda da rainha.
                    - Um mensageiro? Mas como?
                    - Eu não sei. Olhe isso – Hélade entregou o pergaminho a Xena.
                    - Meridiano caput mihi.4 – A guerreira olhou para Hélade. – Tem certeza que era de Roma? – Xena olhou assustada a amazona.
                    - Sim senhora. Ele estava de vestes vermelhas, usava elmo e armadura iguais aos soldados que nos atacou. Ele me entregou e depois desapareceu.
                   Xena e Hélade se entreolharam.
                    - No ar?
                    - Sim senhora.
                   Xena coçou a cabeça confusa. Era óbvio que havia um deus por detrás disso.
                    - Mande todas para os postos imediatamente – Hélade ordenou apertando os olhos de fúria.
                    - Elas precisam dormir. Exaustas só serão cordeiros para o abate – Xena disse assumindo a posição tática.
                    - Roma está em nossos calcanhares – Hélade aumentou o tom. – Eles rugem como leões por nossa carne.
                    Xena encarou-a duramente.
                    - Acalme-se Hélade. Só teremos chance se todas estiverem descansadas. Elas não podem lutar exaustas. Ouça, Hélade... – Pediu Xena – Já lutei em batalhas tão cruéis quanto essa que virá.
                    Hélade pareceu ponderar. Andou pela tenda com a mão no coração.
                    - Você tem razão, Xena. – Fez um gesto com a mão para chamar a atenção da moça morena. – Mande todas descansarem. Amanhã cedo estarão todas em pé.
                    - Sim, minha rainha. – Disse a moça prontificando-se.
                    Fora uma noite mal dormida. Os pesadelos acordavam Xena. Ela se debatia com uma corda grossa em seu pescoço, sufocando-a. Depois a corda transformava-se em uma aranha asquerosa que subia em seu rosto. O cenário mudava e ela se via pregada em uma enorme cruz ao lado de Gabrielle e um corvo de olhos vermelhos que grasnava, chamando centenas de manchas pretas no céu. Eles bicavam a carne delas.
                    O coração martelava rente às costelas. O corpo lhe pesava e a cabeça girava.
                     - Gabrielle – balbuciou. Virou-se para o lado na esteira de palha e manta.
                    Xena não quis dormir. Apenas levantou-se e pegou suas armas. Buscou por Leah e as amazonas para partirem antes do sol nascer. Precisavam de tempo.
                     - Leah – chamou baixinho a moça que dormia – vamos.
                    Xena e as guerreiras partiram a cavalo. Saíram floresta adentro. Aquela seria uma caminhada de cinco dias e ainda teriam que navegar. Não sabiam o que encontrariam no caminho, mas mesmo assim, arriscaram suas peles.
                    Xena preparava-se mentalmente para o que iria fazer. Não sabia o que encontraria de Gabrielle. Não sabia como César estava depois que voltou a vida e tinha medo de saber. Mas mesmo assim continuou obstinada a encarar mais uma batalha, porque não seria nem a primeira nem a última. Lembrou-se dos muitos episódios, onde por vezes, sua vida e a de Gabrielle ficaram por um fio. Elas sempre conseguiam.
                   Mas e se hoje fosse diferente? E se ela não conseguisse? E se o sonho se concretizasse?
                   Ela fechou os olhos e inspirou o ar para dentro de seus pulmões. Relembrou a última vez em que tivera um sonho parecido com aquele – a premonição de que César mataria as duas. E ele havia conseguido uma vez.
                   - Havia um motivo para morrer... – sibilou olhando para o borrão verde enquanto cavalgavam – E outro para viver. Não era a nossa hora e não será agora também – sentiu um aperto no peito .
                   - Xena – Leah chamou-a. – Vamos conseguir – tentou tranquiliza-la.
                   Xena apenas sorriu torto no canto da boca lançando um olhar azul metálico caloroso.
                   - Vocês já sabem o que fazer não é?
                   - Sim – elas responderam.
                   Logo que o dia amanheceu um sol brilhante, vivo e gotejante estava cercado por nuvens com formatos diferentes. Monstros brancos que surgiam por detrás de montanhas vestidas com tapetes verdes. O vento fresco serpenteava pelo vilarejo, trazendo o espírito de paz da manhã. Por enquanto.
                   Era um bom dia para a guerra.
                   Talvez, um belo dia para lutar. E morrer. E muitos morreriam.
                   Durante toda a manhã, as amazonas trabalharam em suas posições, verificando as armas, os locais e as armadilhas. Antes do meio dia, Hélade posicionou-se no trono.
                   - Todas vocês prestem bem atenção! – Ela reclamou a atenção de todas – Enfrentaremos um inimigo antigo, que por algum motivo desconhecido voltou do submundo. Mas nós o mandaremos para o Tártaro para que Cérberus o dilacere. Não será uma batalha fácil. Muitas de nós não retornará. Essa é a realidade da guerra. Mas a nossa guerra – ela frisou as últimas palavras – é por nossas vidas, nossa nação e nosso futuro. - Ela encarou todas as guerreiras.- Dispensadas!
                    A massa de mulheres deu o grito agudo característico da tribo.
                    E todas elas marcharam imponentes pela floresta. O manto verde as manteria invisíveis, invencíveis. Não sabiam se voltariam com vida, mas não desistiriam sem antes lutarem com tudo o que tinham. Os passos das mulheres moviam o chão, suas respirações entrecortadas emanavam a energia da luta. Seus rastros estavam gravados na terra. Muitas não voltariam, muitas lamentariam e muitas se sentiriam vitoriosas por terem lutado até o fim.
                    As guerreiras ficaram invisíveis nas árvores. Havia uma massa de mulheres com seus corpos pintados de verde para camuflarem-se na floresta. Armaram-se com espadas, azagaias, sarabatanas com dardos envenenados e adagas; as arqueiras carregavam as aljavas repletas de flechas.
                    A sorte estava lançada. Os pássaros voaram amedrontados. Vida e morte se cruzavam, se chocavam. O céu nublado ria debochadamente de suas marionetes humanas e de seus ideais provados na força e no sangue.


4 Ao meio dia sua cabeça será minha. 



Quinta-feira, Capítulo 9


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