FanFic - I'll Never Leave You - Capítulo XI



por Caroline Pessoa




Capitulo X






                     Hélade dera o grito da vitória. As amazonas reuniram-se em uma gigantesca massa feminina verde. Avançaram para cima do que restava das tropas romanas, que agora não tinham um plano, um general, alguém para liderá-los.
                      - Retirada! Retirada! – Um rapaz com um braço decepado empapado em sangue tentava alertar os soldados existentes – O general caiu! Retirada!
                      Uma flecha certeira o fez silenciar. Os homens estavam dispersos como moscas tontas pela floresta. Não tiveram mais forças para quererem reagir, soltaram as espadas e ajoelharam-se em sinal de rendimento. Hélade deu o comando para que suas guerreiras destruíssem os sobreviventes.
                      O céu estava quase clareando. Haviam pontos de luz que lentamente se apagavam. O manto estava manchado, sujo de sangue, espadas quebradas e flocos cinzas com pontinhas vermelhas em chamas.
                      Era a imagem do caos.
                      Entretanto, alguém se pronunciava no silêncio. Sem que ninguém a enxergasse, Ártemis observava suas guerreiras fiéis e toda a batalha que bravamente abraçaram. Enfureceu-se, por que Ares tentou destruir as amazonas e por esse motivo, decidiu interferir invisivelmente para castiga-lo. Ártemis levantou a ponta do dedo e fez um círculo no ar, abriu-se uma imagem e ela viu outras amazonas lutarem pela sobrevivência.
                      Ares estava ali, observando deliciando o sofrimento de suas guerreiras.
                      - Espero que goste do presente, tio – disse a última palavra com sarcasmo. Ártemis era a filha de Zeus, deusa da caça e das amazonas. Não permitiria mais aquele banho de sangue. – O sofrimento das minhas amazonas será recompensado.
                     Ártemis carregava seu arco e flecha de prata, retirou uma das flechas e aproximou-se de Hélade, tocando-a no ombro.
                      - Poderosa rainha Hélade – chamou-a gentilmente Ártemis.
                     Hélade empalideceu com a visão da bela deusa à sua frente. Ela vestia uma túnica branca esvoaçante, usava sandálias de couro, trazendo presa a espádua uma aljava de prata. Na mão direita o arco prata e na outra, uma lira, forjados por Hefesto. Ela tinha uma beleza incomum. Trazia uma expressão mansa, olhos de um verde vivo, cabelos castanhos e ondulados que lhe desciam até a cintura. Ela emitia uma aura perolada.
                     Instantaneamente, Hélade ajoelhou-se.
                      - Todas vocês lutaram bravamente – Ártemis disse pausadamente – sei que os romanos as perseguem há muito tempo e que o meu tio, Ares, tentou destruí-las também.
                     Hélade apenas escutava.
                      - O que a nossa rainha faz de joelhos? – Perguntou uma amazona com várias escoriações no corpo, ajudando suas irmãs a recolherem os corpos das guerreiras mortas.
                      - Acho que ela deve estar agradecendo a nossa vitória – disse uma delas.
                      Ártemis entregou a Hélade duas de suas flechas.
                      - Tome – Hélade pegou maravilhada – use-as com cautela.
                      - Obrigada, minha senhora – Hélade baixou a cabeça em agradecimento.
                      - Tens um pedido no seu coração. Faça-o e atenderei – disse Ártemis lendo a alma de Hélade.
                      - Eu tenho guerreiras e duas amigas que correm sério risco de vida – ela engoliu seco – Xena e Gabrielle são grandes amigas. Elas nunca nos negaram ajuda. Minha senhora existe algum modo de eu estar lá para ajuda-las a voltarem sãs e salvas para o vilarejo?
                      Ártemis sorriu.
                      - Vejo sua coragem e seu amor por todas – disse Ártemis tocando o rosto de Hélade – feche seus olhos.
                      Ártemis deu um beijo delicado na testa sangrenta de Hélade e desapareceu levando-a consigo. Assim que Hélade abriu os olhos, viu-se no meio da luta entre Xena e César.
                      Ela viu o chakram acertar em cheio a mão de César.
                      Ao abrir os olhos Xena vê a espada voar para longe. César com uma mão cortada gritava de dor. Ceo tentava manter o sangue frio segurando Gabrielle. Xena correu socando um soldado, acertou um golpe na garganta de outro pegando a espada do último e atravessando a barriga do terceiro. Saltou por cima de dois homens descomunais, pousando bem no meio de uma carroça.
                      Igual ao sonho.
                      Ela vira Gabrielle nas mãos de Ceo, enquanto César tentava se recompor e procurar outra arma.
                      Em poucos segundos, ela vira novamente a face da morte. Xena não conseguiria a tempo. Contudo, correu e viu a sua frente braços abertos para aconchega-la.
                      - Gabrielle! – Gritou alongando a última vogal.
                      Uma flecha prateada zunia cortando o ar e acertando bem no meio da testa de Ceo. Ele caíra no chão como se fosse uma montanha se desfazendo. Ceo soltou Gabrielle que caiu para o lado, gemendo de dor. César olha nervosamente para os lados, mas não consegue encontrar quem disparou a flecha. Olhou Gabrielle no chão e percebeu que era a última chance que tinha.
                      Levantou a mão para o ar e gritou furiosamente.
                      Hélade apanhara e preparou o arco para usar a outra flecha de Ártemis. A prata zuniu no ar, transpassando o estômago de César.
                      Ele caiu de joelhos.
                      Era o tempo que Xena precisava.
                      Ela saltou até o local em que César estava e soca-o com as últimas forças. Soca o nariz quebrando-o; o queixo; o coração e o pescoço. Arranca a adaga prateada de sua mão e crava-lhe no peito.
                      - Não – ele arregala os olhos opacos.
                      - Até nunca seu porco – ela empurrou mais uns centímetros sem compaixão.
                      O corpo de César sofre convulsões e depois uma chama negra lambe-o transformando-o em cinzas. Xena vê Ares e ele sorri com um ar completamente maravilhado pela própria derrota desaparecendo em seguida.
                      - Até a próxima Xena... – sua voz grave ecoa no ar.
                      Xena olha para Gabrielle jogada no chão, vestida com trapos imundos. Não havia mais lutas, não havia mais César, Ares. Ninguém. Ao longe, as amazonas tentavam entender como Hélade chegara no meio do nada.
                      Xena não percebera nada disso.
                      Apenas ajoelhou-se ao lado de Gabrielle tomando-a nos braços com delicadeza, percebendo todos os seus graves ferimentos.
                       - Gabrielle – sussurrou doce – acorde... – as lágrimas rolavam grossas de seus olhos azuis metálicos – Por favor... – ela afagava o rosto da moça loira desmaiada – Nós vencemos. Você está segura.
                      Ela a abraçou pousando o rosto no de Gabrielle. Estava aliviada por tê-la ali, segura em seus braços, mas não sabia quanto tempo tinha de vida. Não sabia da gravidade de seus ferimentos. Tentou recobrar sua razão. Aconchegou Gabrielle nos braços e levou-a até as amazonas. Sua cabeça zunia. Tudo o que precisava agora era de um lugar para cuidar de Gabrielle.
                      - Xena! – Leah gritou correndo ao encontro delas – Como ela está?
                      Xena fitou o rosto de Gabrielle.
                      - Ainda está viva, mas eu preciso providenciar um lugar o mais rápido possível para cuidar dela... Eu não sei a gravidade dos ferimentos.
                      Hélade, Diana, Ailla e Ariana aproximaram-se machucadas. Xena olhou para a rainha sem entender como ela havia chegado ali.
                      - Vamos, depois eu te explico - disse Hélade temendo uma nova visita dos romanos.
                      Antes de saírem, roubaram balsas e fugiram. Ao chegarem à terra firme, Diana procurou os cavalos para saírem dali. Xena improvisara uma maca com a ajuda das amigas e pousara delicadamente Gabrielle enrolando-a com mantas grossas. Tentou não fazer muitos movimentos bruscos para que não prejudicasse a amiga.
                      No caminho, Hélade descreveu à Xena a guerra, como venceram e a aparição da deusa Ártemis e como ela havia chegado até ali.
                      O dia amanhecia e elas estavam famintas. Xena precisava de ervas, mas ali não acharia o que precisava. As amazonas fizeram fogo e colheram alguns frutos silvestres, conseguiram um pouco mais de comida com alguns viajantes que passaram pela mesma estrada que elas.
                       - Senhor – perguntou Xena – esse caminho leva para Temiscira?
                       - Oh, sim – o homem observou bem as mulheres e seus ferimentos. – Passarão menos de cinco dias se pegarem esse caminho.
                       - Cinco? – Preocupou-se Xena.
                       - Ora filha, o quão distante acha que é Roma de Grécia? – Ele olhou-as e retomou seu caminho.
                      Xena agradeceu e voltou para as companheiras.
                       - Hélade, precisamos nos apressar – ela disse preocupada – eu tentei fazer o que podia por Gabrielle com o que tenho até agora. Ela tem uma costela fraturada e um braço quebrado. Consegui encaixar seus ossos com muita dificuldade. Não temos muito tempo – a voz dela sumiu.
                       - Ela vai conseguir – Hélade encorajou-a. 



Segunda-feira, Capítulo 12


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